Pausas obrigatórias de três minutos de cada vez
Pela primeira vez na história das Copas do Mundo, a FIFA ordenou que todos os jogadores fizessem uma pausa para hidratação no meio de cada tempo. A medida busca protegê-los do calor extremo, mas já gera críticas.
Alguns especialistas alertam que a Copa do Mundo de 2026, organizada pelos Estados Unidos, México e Canadá, poderá ser a mais quente da história. Em resposta, a FIFA implementou pausas independentemente da temperatura ou se os estádios têm telhados ou ar condicionado.
Três minutos são suficientes?
Os cientistas dizem que pausas de três minutos são muito curtas para esfriar e reidratar em condições sufocantes. Yuri Hosokawa, da Universidade Waseda, no Japão, foi um dos especialistas que assinou uma carta à FIFA pedindo pelo menos seis minutos.
“Quando olhamos para pausas de três minutos, vemos-nas como uma forma de mitigar qualquer coisa que possa levar a uma emergência”, disse Joshua L. DeVincenzo, do Centro Nacional de Preparação para Desastres da Universidade de Columbia.
Os críticos também afirmam que a interrupção corta o ritmo do jogo e dá aos treinadores a oportunidade de mudar o ritmo do jogo. O técnico do México, Javier Aguirre, reconheceu que eles aproveitam:
“Sério, acho que aproveitamos o regulamento. Eles não deixam você entrar em campo, mas quando os jogadores bebem água eles recebem algumas instruções. Você aproveita, você vê algo para corrigir.”
O risco real de insolação
Atletas de alto desempenho podem sofrer de doenças causadas pelo calor induzidas pelo esforço. Quando a temperatura central excede 40,5°C (105°F), pode ocorrer confusão, agressão ou perda de consciência, sinais de insolação que requerem atenção médica imediata.
A desidratação agrava os riscos. Os atletas podem perder de 1 a 2 litros de suor por hora. Perder apenas 2% do peso corporal devido à desidratação prejudica o desempenho.
Ryan Calsbeek, da Universidade de Dartmouth, explicou que quando as temperaturas do globo e do bulbo úmido excedem 35°C (95°F), os mecanismos fisiológicos entram em colapso. “São essas diferenças marginais de desempenho que podem determinar o resultado de uma partida”, disse ele.
Resfriando em três minutos
Um estudo de 2024 mostrou que uma pausa de três minutos reduz a temperatura central em cerca de 0,4°C em condições ideais: beber 350-400 ml de água fria e aplicar uma toalha fria nos ombros. Mas Douglas Casa, do Instituto Korey Stringer, alertou: “Mesmo em ambientes ideais, as pausas ajudam um pouco, mas não eliminam o risco”.
Julien Périard, coautor do estudo, destacou que é fundamental que esses três minutos sejam bem planejados. Bharat Venkat, do UCLA Heat Lab, acrescentou que as pausas são cruciais para que o corpo não seja forçado a esfriar incansavelmente.
À medida que o planeta aquece, o desporto terá de fazer ajustes às alterações climáticas. A Fifa diz que as regras são baseadas na experiência de torneios anteriores, como a Copa do Mundo de Clubes nos Estados Unidos no verão passado.




