O acordo é unânime, a realidade não
O Senado aprovou por unanimidade a legislação de uma Lei Geral sobre feminicídio. Parece bom, certo? A senadora Mely Romero Celis (PRI) já colocou os pontos sobre os i’s. Ele disse que esse avanço é apenas um primeiro passo. O de sempre: o brinde ao sol legislativo antes das eleições.
“Ainda é necessário construir um quadro jurídico abrangente que inclua um orçamento suficiente, formação para funcionários públicos e critérios aprovados”, alertou.
Ou seja, temos o anúncio, mas não o plano completo. Nem mesmo o dinheiro para executá-lo.
As letras miúdas da impunidade
Um dos grandes problemas é a disparidade. Matar uma mulher em Chihuahua não é a mesma coisa que em Yucatán. A classificação do crime e as penas mudam dependendo do estado. Isso, na prática, é chamado de impunidade com geolocalização.
O senador foi claro: essa falta de uniformidade cria cenários em que a penalidade depende do seu CEP. Enquanto isso, os números são horríveis.
Ele citou dados da ONU e da CEPAL: pelo menos 11 mulheres são assassinadas diariamente na América Latina. No México, sete em cada dez sofreram algum tipo de violência. O feminicídio aqui é caracterizado por níveis muito elevados de crueldade e está frequentemente ligado a outras tragédias, como o desaparecimento forçado.
A proposta específica de Romero Celis é que a futura lei inclua protocolos claros de prevenção, atenção às vítimas e, algo fundamental, sanções para funcionários que simulem investigações. Porque tem muito disso: o teatro burocrático onde se arquiva uma vida.
O seu apelo é por uma legislação sólida e abrangente. O urgente é que esta lei não seja apenas mais um pedaço de papel na gaveta. Que chegue com força, um orçamento e uma vontade política real que persista depois da manchete da imprensa. Há anos que as vítimas e as suas famílias esperam por mais do que apenas discursos.




