PT propõe registo nacional de órfãos por feminicídios

Uma iniciativa procura dar visibilidade e proteger os menores que ficaram órfãos após um crime de género, obrigando o Estado a agir.

Quando a tragédia tem nome, mas as vítimas não têm rosto

Imagine o pior dia da sua vida. Agora imagine que, depois disso, o sistema o trate como uma informação errada, uma falha na matriz burocrática. Essa é, em essência, a realidade (ou melhor, a não-realidade) vivida por meninas, meninos e adolescentes que perdem suas mães para o feminicídio no México. Eles são fantasmas estatísticos. Mas agora, o Grupo Parlamentar do Partido Trabalhista lançou uma proposta que soa como uma tentativa de passar de “pensamentos e orações” para ações concretas: criar o Registro de Menores Órfãos por Feminicídio. Alerta de spoiler: a ideia é que não seja apenas mais um arquivo empoeirado em um servidor governamental.

A medida é reformar a Lei Geral de Vítimas para que a Comissão Executiva de Atenção às Vítimas (CEAV) tenha a missão de criar e administrar esse cadastro. Isto é, em tese, deixar de depender da memória falhada das instituições e construir uma rede de informação que centralize os dados. Os senadores Geovanna Bañuelos, Liz Sánchez, Ana Karen Hernández, Yeidckol Polevnsky e o coordenador Alberto Anaya são os protagonistas desta iniciativa, que já está circulando na Gazeta do Senado.

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E como isso funcionaria? Além de um Excel triste

A ideia não é que um estagiário esteja atualizando uma planilha. A iniciativa propõe que o cadastro seja alimentado automaticamente (ou pelo menos obrigatoriamente) com informações de ministérios, tribunais, sistemas de saúde do Estado, do DIF e até de instituições de saúde. Basicamente, um “ping” para todas as autoridades competentes sempre que é confirmado um feminicídio envolvendo menores afetados. Como dizem no documento: “Com isto, constrói-se uma sólida rede de informação, evitando a dispersão que hoje caracteriza o tratamento destes casos”. Tradução: parar de perder crianças no limbo entre uma agência e outra.

E porque sabemos que confiar no Estado para proteger os dados é como confiar que um cachorro não comerá um taco deixado ao seu alcance, a proposta enfatiza que as informações serão estritamente confidenciais. Será regido por leis de proteção de dados pessoais e, principalmente, pelo princípio da não revitimização. Porque a última coisa que esses menores precisam é que seu trauma seja um registro público.

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A senadora Geovanna Bañuelos resumiu a situação com um golpe de realidade: essas crianças têm sido “invisíveis para as instituições e expostas a uma cadeia de violações”. A proposta visa que, ao serem identificados e inscritos no cadastro, uma série de suportes sejam acionados de forma automática e vinculativa. Não é um “já anotamos, tchau”. Seriam oficialmente reconhecidas como vítimas indiretas, com direito à avaliação psicossocial, apoio jurídico e psicológico e integração prioritária no Fundo de Ajuda, Assistência e Reparação Integral. Ou seja, o Estado teria a obrigação de fazer algo mais do que enviar condolências.

Num país onde os números da violência de género são uma ferida aberta, esta iniciativa representa um avanço significativo no reconhecimento das consequências colaterais do feminicídio. Centra-se nas vítimas que permanecem vivas, em estado de choque e em risco, obrigando o aparelho estatal a ter um protocolo claro de cuidado e proteção. É uma tentativa de transformar a orfandade forçada devido à violência sexista de uma situação de abandono institucional para uma situação com um caminho, mesmo no papel, de reparação abrangente.

Você acha que esta medida pode fazer uma diferença real na proteção desses menores? Compartilhe essas informações para tornar visível uma das consequências mais dolorosas da violência de gênero e explore mais conteúdos sobre políticas públicas e direitos humanos em nosso site.

INEHRM torna-se centro de investigação e ensino

O INEHRM é transformado em centro de pesquisa e ensino sob a nova secretaria.

Transformação do INEHRM

A presidente Claudia Sheinbaum assinou o decreto que transfere o Instituto Nacional de Estudos Históricos das Revoluções do México (INEHRM) para a Secretaria de Ciência, Humanidades, Tecnologia e Inovação (SECIHTI). O instituto passa a ser um órgão público descentralizado com foco acadêmico.

Rosaura Ruiz Gutiérrez, chefe da SECIHTI, explicou que o novo esquema irá formar especialistas em história para fortalecer as capacidades nacionais em ciências sociais e humanas.

Felipe Arturo Ávila Espinosa, diretor do INEHRM, explicou que os planos de estudos vincularão o conhecimento histórico aos problemas sociais, econômicos, políticos e culturais do país, e atenderão às necessidades da Administração Pública Federal.

Oferta educacional híbrida

A oferta incluirá licenciaturas em História, Ciências Sociais e Humanas, e Administração Pública e Bom Governo. Na pós-graduação, serão acrescentados mestrados em Humanismo Mexicano, Estudos de Gênero e Feminismo e Movimentos Sociais e Resgate da Memória Histórica. Haverá também especialidades em Comunicação Política e Ensino de História.

Os graduados cobrirão temas como agrarianismo, saúde, migração, inteligência artificial, violência e direitos humanos.

Sede e chamada

A nova sede ficará na Rua Guatemala 80, Centro Histórico da Cidade do México. O primeiro edital será lançado em julho e as aulas terão início em setembro.

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Ministério Público concede medidas de proteção a vítima de violência familiar

A Promotoria de Morelos emitiu medidas de proteção após denúncia de violência familiar contra o ex-diretor da Pemex.

A Procuradoria Geral de Morelos ativou medidas de proteção a favor de Felicia Jiménez Lavie, que apresentou queixa por violência familiar contra seu marido, Víctor Rodríguez Padilla, ex-diretor da Pemex. A informação foi relatada pelo promotor Fernando Blumenkron Escobar.

As medidas, explicou o responsável, estarão disponíveis quando a vítima as exigir. A denúncia foi apresentada na Cidade do México e a Secretaria da Mulher do Governo do México acompanha diretamente o caso.

Investigação em andamento

Até agora, Jiménez Lavie não se dirigiu ao Ministério Público local para contribuir com mais elementos para a pasta da investigação. A ação foi iniciada ex officio na última sexta-feira, 26 de junho, após a divulgação de um vídeo com imagens de agressões contra a mulher.

Blumenkron garantiu que o portfólio continua sua integração. “O processo não parou e vamos continuar a garantir justiça à vítima”, afirmou. Além disso, indicou que há articulação com a Secretaria da Mulher e o Ministério Público da capital, na rota de atendimento às vítimas de violência familiar.

Dentre as ações realizadas, a Promotoria de Morelos busca localizar o endereço onde ocorreu a agressão física, para realizar laudos periciais de acordo com as imagens do vídeo veiculado pela própria vítima.

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Trump não estende T-MEC: México enfrenta revisão anual

EUA rejeitam extensão automática do T-MEC; a validade é reduzida para 10 anos com revisão anual.

Rejeição de extensão automática

Os Estados Unidos decidiram não renovar automaticamente o Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá (T-MEC) por 16 anos. Isto reduz a sua validade para uma década com uma revisão anual. A medida gerou preocupação entre os legisladores mexicanos.

Ricardo Monreal, coordenador do Morena em San Lázaro, explicou que o tratado permanece em vigor por mais 10 anos, mas sujeito a avaliação a cada ano. Ele observou que os Estados Unidos apresentaram 54 observações, incluindo questões como a toninha-vaquita e a pirataria. O México, por sua vez, levantou 13 pontos, incluindo a cláusula 232 sobre tarifas.

“Só que será revisto ano após ano, mas o Tratado não está concluído, continua por mais 10 anos porque foi assim que foi assinado há seis anos”, declarou Monreal.

O legislador alertou que Donald Trump tem sido um crítico constante do USMCA e apelou à consideração dos benefícios que trouxe às três nações.

Reações da oposição

Héctor Saúl Téllez, vice-coordenador económico do PAN, considerou que a posição dos EUA demonstra falta de antecipação estratégica por parte do governo federal.

“A decisão dos EUA de não prorrogar automaticamente o USMCA por 16 anos na revisão de hoje não é o fim do tratado, mas revela uma falta de antecipação estratégica por parte do governo federal”, afirmou.

Téllez lembrou que o artigo 34.7 do acordo era conhecido desde 2018. Chegar a 1º de julho sem uma prorrogação limpa representa um risco que, segundo ele, deveria ter sido evitado.

A revisão anual permitirá ajustamentos, mas persiste a incerteza sobre o futuro do comércio regional. O México e o Canadá procurarão manter a estabilidade do acordo durante os próximos dez anos.

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