Cidade no centro da tensão
Os militares norte-americanos confirmaram esta quarta-feira o restabelecimento do bloqueio aos portos iranianos no Estreito de Ormuz. A medida responde aos ataques de Teerã contra navios que tentam cruzar a rota marítima por onde passa um quinto do petróleo bruto e do gás natural do planeta.
A escalada põe em risco o cessar-fogo provisório assinado semanas atrás. Agora, os ataques retaliatórios ameaçam levar a região de volta ao conflito aberto.
O que os EUA fizeram?
O bloqueio foi imposto originalmente em Abril, mas foi levantado em Junho, após um acordo de 60 dias para negociar o programa nuclear do Irão. Mas as negociações estagnaram e os combates no estreito se intensificaram.
O presidente Donald Trump anunciou a devolução da cerca na segunda-feira e também propôs uma tarifa de 20% sobre os navios que cruzam o estreito. Horas depois, ele abandonou essa taxa, dizendo que os aliados do Golfo a solicitaram.
“A exportação de petróleo e gás da região será para todos ou não será para ninguém”, alertou a Guarda Revolucionária do Irã.
Reações do Irã
O embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, chamou os Estados Unidos de “o agressor, não a vítima”, segundo a agência estatal IRNA.
Os Estados Unidos realizaram uma nova onda de ataques ao restabelecer o bloqueio, segundo o Comando Central. Alertas de mísseis foram ativados no Bahrein e no Kuwait. O almirante Brad Cooper observou que o Irão lançou dezenas de mísseis e drones contra os países do Golfo Árabe.
“As forças dos EUA estão responsabilizando o Irã por agressões injustificadas”, declarou Cooper.
Cenário militar e econômico
Existem pelo menos 19 navios de guerra americanos no Mar Arábico, incluindo dois porta-aviões e um navio anfíbio com mais de mil fuzileiros navais. O Comando Central relata “centenas de aeronaves militares operando em todo o Oriente Médio”.
O Irã fechou a passagem em fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel a atacaram. Isso disparou o preço do petróleo, fertilizantes e outros bens. Agora, Teerão atacou navios perto de Omã, fora do seu controlo.
Trump disse que os reis e emires do Golfo lhe propuseram investir milhares de milhões nos EUA em vez de pagar portagens. “Não creio que alguém deva cobrar uma taxa pelo estreito”, disse ele. Os especialistas duvidam que Washington possa reabrir a passagem à força sem uma marinha muito maior ou dezenas de milhares de soldados no terreno.




