O Plano Diretor para a Cultura no México: finalmente algo para ler além dos memes
Parece que alguém do Ministério da Cultura decidiu que era hora de mudar o roteiro. E não, não é o de uma novela, embora com os dramas orçamentários que o setor costuma ter, poderia muito bem ser. Esta manhã, o Diário Oficial da Federação (DOF) —sim, aquele documento que todos consultamos religiosamente em vez de consultar o Instagram— revelou-se mais interessante do que o habitual. Foram publicados o Programa do Sector da Cultura 2025-2030 e o decreto que o aprova. Basicamente, é o PowerPoint mestre, o plano de seis anos para tentar fazer com que a cultura neste país não seja apenas sobre TikToks virais.
A primeira coisa que fica óbvia é que tudo isso dependerá do famoso orçamento aprovado. Ou seja, aquele que é sempre tema de debate nacional. Todos os planos de acção, a coordenação entre instituições e até mesmo a responsabilização girarão em torno do que diz o Decreto Orçamental de Despesas da Federação. Tradução: espero que haja varo.
Um processo participativo: ou como fazer com que todos se sintam incluídos
De acordo com o documento, isso não foi escrito em uma caverna escura por um grupo de iluminados. Foi elaborado através de um processo participativo que incluiu fóruns de diálogo e mesas de trabalho com diversos atores do ecossistema cultural. Quer dizer, havia pessoas dando suas opiniões. Muitas pessoas. A ideia central é reconhecer que a diversidade cultural mexicana surge em todas as regiões e que as comunidades não são apenas recipientes passivos, mas protagonistas activos. As instituições, em teoria, deveriam facilitar e melhorar estas iniciativas. Parece bom, não é? Como um grupo de WhatsApp onde todos colaboram, mas na vida real.
Mas nem tudo é rosa. Durante esses processos, eles se depararam com alguns “pequenos detalhes”. O documento fala sobre desigualdades profundas no acesso cultural. Alguns problemas são estruturais e muito antigos: as disparidades de género na participação no sector (embora aparentemente já haja melhorias), a insegurança laboral dos trabalhadores culturais – alguém disse “artistas famintos”? – e a pouca articulação entre educação e cultura, que limita a formação artística básica. Basicamente, os mesmos problemas de sempre, mas agora com um documento oficial que o diz.
Os novos desafios: do folclore à inteligência artificial
E claro, os desafios do século XXI não poderiam faltar. O programa aponta temas mais contemporâneos como a transformação digital e o acesso aberto, os marcos regulatórios para tecnologias emergentes como a inteligência artificial – quem disse o medo? Também menciona mudanças nos hábitos de consumo cultural. Quero dizer, você sabe, que agora todo mundo assiste séries em streaming em vez de ir ao cinema.
Para enfrentar todo esse caos, o programa propõe quatro objetivos principais. Pense neles como os pilares deste novo templo cultural: contribuindo para o pleno exercício dos direitos culturais com políticas que fortaleçam a diversidade; consolidar um modelo educativo público, gratuito e de excelência que proporcione oportunidades de formação artística e cultural para todos; promover o desenvolvimento cultural, fortalecendo o ciclo criativo com ênfase na participação cidadã, na inclusão social e na liberdade; e fortalecer a preservação, pesquisa e divulgação do patrimônio nacional, material e imaterial. Nada mais.
Em suma, é um plano ambicioso. Bastante. Mas, como tudo neste país, o seu sucesso dependerá da execução e, claro, do orçamento. Por enquanto, temos que esperar para ver se este programa permanece no papel ou realmente consegue transformar a paisagem cultural mexicana. E enquanto isso, continuaremos aqui, analisando cada movimento com um misto de esperança e ceticismo, porque, sejamos sinceros, é a forma milenar de encarar a vida.
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