Quando o Profeco avisa, os negócios estremecem (ou não)
Ah, México. O país onde pagar com cartão pode tornar-se numa aventura digna de Indiana Jones, mas com menos tesouros e mais comissões escondidas. O chefe da Profeco, Iván Escalante, saiu como um herói de novela para anunciar que cobrar comissão por pagar com plástico é ilegal. A reação? Uma enxurrada de reclamações nas redes sociais e de comerciantes que, entre lágrimas e gritos, juram que não são o Banco do México para sair por aí absorvendo custos.
O grande dilema: quem paga a festa?
Enquanto a Profeco esfrega as mãos pensando em multas pesadas, os empresários – da lojinha da esquina ao supermercado fifí – se perguntam se morar no México é um reality show onde sempre perdem. “Os bancos estão nos cobrando!” eles gritam. E sim, claro, porque todos sabemos que os bancos são entidades de caridade que nunca ganham dinheiro. Por outro lado, os consumidores, aqueles seres mitológicos que acreditam que o dinheiro cresce nas árvores, exigem o seu direito de pagar… exactamente o que o preço diz. Que loucura!
No X (antigo Twitter, para os nostálgicos), a batalha campal foi imediata. Alguns acusam as empresas de não darem ingressos (clássico), outros de cobrarem comissão como se fossem corretoras e alguns até misturam o assunto com tráfico de drogas. Porque, que melhor maneira de debater a transparência financeira do que dizer “também pagamos taxas mínimas”? México mágico.
E ainda há o usuário que, com toda a sabedoria de quem nunca abriu um negócio, afirma: “Empresas não são ONGs”. Obrigado, Capitão Óbvio. Ou será que alguém pensou que a padaria de Don Ramón funcionava apenas com votos de felicidades e abraços gratuitos?
Profeco ao resgate (ou assim dizem)
Escalante, no seu papel de justiça social, pediu aos consumidores que denunciassem estas práticas. “Não deixe que cobrem uma gorjeta obrigatória ou neguem uma conta”, disse ele, como se estivéssemos em um tutorial sobre como sobreviver ao capitalismo mexicano. O curioso é que, embora a Profeco prometa “vigilância e suspensão”, não podemos deixar de nos perguntar: será que vão mesmo multar a loja de tortilhas que cobra US$ 2 a mais pelo pagamento com cartão? Ou eles irão apenas atrás das grandes redes para que fiquem bonitos no relatório anual?
No final, o consumidor fica no meio do ringue, vendo as empresas, os bancos e o governo lutarem. E enquanto isso, o único que sempre perde é o mesmo de sempre: o bolso do mexicano. Moral? Se você pagar em dinheiro, evita dramas. Mas tenha cuidado, pois eles acusam você de lavagem de dinheiro. Você nunca vence!
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