Análise das declarações de Omar García Harfuch
O secretário de Segurança e Proteção ao Cidadão (SSPC), Omar García Harfuch, rejeitou categoricamente que a Guarda Nacional (GN) esteja “contaminada” após a prisão de 11 de seus membros por suposta cumplicidade no roubo de hidrocarbonetos em Guanajuato. Durante uma reunião privada com deputados, sublinhou que este caso isolado não reflecte a conduta dos mais de 133 mil elementos destacados no país. Ele destacou que, embora tenham ocorrido irregularidades em instituições anteriores, como a Polícia Federal, a GN mantém padrões de profissionalismo no seu dia a dia.
Contexto e controvérsias recentes
As declarações surgiram depois que a polícia municipal de Apaseo el Alto capturou os policiais federais fardados em flagrante. Harfuch sublinhou que, estatisticamente, estes incidentes representam menos de 0,01% da corporação, embora tenha reconhecido a necessidade de mecanismos de auditoria interna. Os dados da SSPC revelam que, em 2024, apenas 0,3% dos membros da GN foram investigados por alegados crimes, um número inferior à média internacional das forças de segurança.
Em outra frente, o responsável negou qualquer ligação entre o assassinato de dois colaboradores de Clara Brugada, chefe do governo da capital, e os ataques contra a sua pessoa em 2020 ou contra o jornalista Ciro Gómez Leyva em 2022. “Não há indícios forenses ou de inteligência que sugiram uma ligação”, afirmou, acrescentando que as investigações avançam com o apoio dos procuradores locais e federais.
Estratégia de segurança e desafios eleitorais
Harfuch apresentou uma avaliação da estratégia federal contra o crime organizado, destacando:
- 11.000 armas apreendidas em 2024 (45% a mais que em 2023).
- Desmantelamento de 915 laboratórios de drogas sintéticas.
- Redução de 25% nos homicídios dolosos em todo o país.
No que diz respeito aos processos eleitorais em Durango e Veracruz, garantiu uma operação com 8.000 soldados adicionais da GN. Sobre as ameaças de boicote por parte da CNTE, alertou que não haverá repressão, mas haverá “força legal” contra atos violentos.
Reforma legislativa e proteção de dados
O secretário anunciou grupos de trabalho para analisar as polêmicas iniciativas de segurança enviadas pelo presidente Sheinbaum, especialmente o registro de telefonia móvel e o acesso a dados biométricos. Especialistas consultados apontam que este debate reflete a tensão entre privacidade e eficácia investigativa em crimes complexos.
O que vem a seguir? A SSPC enfrenta o desafio de equilibrar transparência com operacionalidade, enquanto as organizações civis exigem salvaguardas contra abusos. Os próximos meses definirão se as reformas alcançarão consenso técnico e social.
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