Prisão de ex-executivo da Pemex nos Estados Unidos
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, confirmou nesta quinta-feira a prisão pelas autoridades norte-americanas de um ex-diretor da Petróleos Mexicanos (Pemex), investigado por supostos atos de corrupção ligados à empresa brasileira Odebrecht. A presidente indicou que a ex-funcionária, cujo nome não mencionou, será em breve deportada para território mexicano.
Identidade e antecedentes da pessoa envolvida
Como revelou um agente federal à Associated Press sob condição de anonimato, o detido é Carlos Alberto Treviño Medina, que ocupou a gestão da Pemex entre 2017 e 2018. O ex-executivo enfrentava uma ordem de extradição pendente há quatro anos. O Ministério Público Federal especificou em comunicado que a prisão ocorreu em 12 de agosto em Dallas, Texas, sob a acusação de associação criminosa e gestão de recursos de origem ilícita.
O advogado Óscar Zamudio, que afirma representar Treviño Medina, disse à Milenio Televisión que seu cliente foi preso pelo Departamento de Imigração e Alfândega (ICE) devido a “um assunto de imigração”, alegando que um pedido de asilo o tornaria “não extraditável”. No entanto, esta posição contrasta com as acusações públicas: em 2021, o Ministério Público acusou o ex-diretor de receber suborno de 4 milhões de pesos (aproximadamente 200 mil dólares) de Emilio Lozoya, outro ex-diretor da Pemex atualmente processado por corrupção.
Contexto do caso Odebrecht
Essa prisão faz parte da investigação global sobre suborno da Odebrecht, a construtora brasileira que admitiu ter pago mais de US$ 700 milhões em subornos para garantir contratos em 12 países, incluindo o México. Lozoya, diretor da Pemex entre 2012 e 2016, é acusado de receber mais de 4 milhões de dólares da empresa. Depois de fugir para Espanha, foi extraditado para o México em 2020 e, após um período de liberdade condicional, foi preso novamente em novembro de 2021 por não cooperar com a justiça.
A prisão de Treviño Medina reativa o escrutínio da corrupção sistêmica na Pemex, empresa estatal considerada estratégica para a economia mexicana. Os analistas apontam que este caso destaca os desafios persistentes na governança corporativa e na responsabilização nas empresas públicas latino-americanas.
O que vem a seguir? As autoridades mexicanas devem formalizar o pedido de extradição perante o governo dos EUA, um processo que pode levar meses. Entretanto, o ICE avalia o estatuto migratório do detido, cuja defesa insiste que não existem fundamentos legais para a sua entrega.
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