Ismael “El Mayo” Zambada, de 76 anos e considerado durante décadas um dos principais líderes do Cartel de Sinaloa, foi condenado esta segunda-feira à prisão perpétua por um tribunal federal de Brooklyn, Nova Iorque. O juiz Brian Cogan determinou que o traficante de drogas passará o resto da vida na prisão após se declarar culpado de diversos crimes relacionados ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crime organizado.
Os crimes contra Zambada
Durante a audiência, o juiz observou que a gravidade dos crimes atribuídos a Zambada – incluindo o tráfico de grandes quantidades de cocaína, heroína e fentanil, bem como numerosos homicídios ligados à organização criminosa – justifica plenamente a imposição da pena máxima prevista na lei norte-americana. Além disso, ordenou o confisco de 15 bilhões de dólares como reparação pelos danos causados.
Antes de ouvir a sentença, Zambada enviou uma mensagem na qual pedia desculpas às vítimas pelos seus actos, assumia a responsabilidade pelos seus crimes e exortava os jovens a não seguirem o caminho do crime organizado. O ex-líder do Cartel de Sinaloa aceitou as acusações em 2025 como parte de um acordo com o Ministério Público dos Estados Unidos, através do qual evitou enfrentar a pena de morte.
Reações e próximos passos
Com esta resolução, “El Mayo” permanece no mesmo estatuto jurídico de Joaquín “El Chapo” Guzmán, que também cumpre pena de prisão perpétua nos Estados Unidos. No entanto, as autoridades norte-americanas alertaram que a sentença não representa o fim da sua ofensiva contra o tráfico de droga, mas sim o início de novas ações contra membros dos cartéis e funcionários alegadamente ligados a estas organizações.
A condenação também poderá intensificar as divergências entre os governos do México e dos Estados Unidos, devido às polêmicas que cercaram a captura de Zambada em julho de 2024. A presidente Claudia Sheinbaum questionou a operação realizada em território mexicano e solicitou esclarecimentos sobre a participação de agências norte-americanas na transferência do histórico capo para aquele país.




