A operação do acordeão: quando a tecnologia é usada para o que não deveria
Ah, a clássica “operação de acordeão”. Não, não é um tutorial de origami ou uma oficina de música folclórica. É a mais recente estratégia criativa do governo para garantir que os seus funcionários votem “como Deus ordena” (ou melhor, como o Presidente ordena). E claro, na era digital, o código QR não poderia faltar, porque que melhor maneira de rastrear o voto do que com um lindo quadrado pixelizado?
Acontece que, apesar do INE dizer “isso não se faz”, vários coordenadores governamentais distribuíram guias de votação físicos (sim, em papel, como antigamente, mas com uma atualização tecnológica). Um funcionário da Educação confessou: “Disseram-nos que não era crime”, como se isso bastasse para justificar dar-lhes um manual sobre “como votar sem pensar”. E claro, a desculpa estrela: “É ordem da Presidente Claudia Sheinbaum”. Porque, obviamente, quando há dúvidas, a melhor resposta é “eles me enviaram.”.
A distribuição discreta (ou nem tanto)
Os Ministérios da Economia e da Saúde, Cecyte e Conalep também receberam sua dose de instruções claras. Alguns fisicamente, outros digitalmente (porque é preciso ser ecologicamente correto, mas nem tanto). O mais engraçado: avisaram que se vissem câmeras ou fotógrafos, “não tirar fotos das cédulas”. Em outras palavras, “trapacear, mas discretamente”. Claro, o INE e o novo QR eram as únicas coisas permitidas na foto. Para que? Para verificar se votaram como deveriam, é claro. Nada suspeito.
E caso não houvesse drama, no Macrocentro San Bernabé também distribuíram o material. Porque que lugar melhor para uma operação questionável do que um lugar com nome de shopping center?
A lista dos eleitos (pelo governo)
O Distrito Judicial 2 tinha sua própria lista de favoritos: desde funcionários da Controladoria até advogados da Defensoria Pública. Todos com o mesmo objetivo: ocupar posições-chave. E no Supremo Tribunal a promoção foi para Lenia Batres, Yasmín Esquivel e outros próximos de Morena. Porque, afinal, o que poderia dar errado?
Mas não termina aí. Houve também recomendações para o Tribunal Judicial Disciplinar e o Tribunal Eleitoral. Porque, aparentemente, nesta operação sanfona ninguém ficou sem o seu “convite especial”.
De qualquer forma, se você quiser um exemplo de como a tecnologia e a política podem ser usadas para qualquer coisa, menos para a coisa certa, aqui está. E você, já escaneou seu QR?
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