A aposentadoria “silenciosa” de um jornalista que foi parar em um circo jurídico
Parece que Jorge González Valdez, ex-diretor do portal Tribuna, não recebeu a nota de que sua aposentadoria em 2017 significava “descanse em paz”. Em vez de aproveitar sua merecida aposentadoria, ele agora enfrenta uma perseguição orquestrada tão elaborada que até mesmo uma novela vespertina seria insuficiente. O crime? Segundo a justiça campechana, incitação ao ódio contra a governadora Layda Sansores. Porque, claro, que melhor maneira de comemorar 50 anos de jornalismo do que com um processo de um milhão de dólares e uma ordem de apreensão de bens?
Quando o jornalismo crítico se torna um “perigo público”
González Valdez, um homem que provavelmente pensava que a pior coisa que lhe poderia acontecer na velhice eram as doenças, agora tem que lidar com o fechamento de seus meios de comunicação, a proibição de praticar jornalismo (embora já estivesse aposentado, mas os detalhes não são importantes) e uma indenização de dois milhões de pesos. Tudo porque, aparentemente, em Campeche a crítica jornalística é considerada um ato terrorista. “É uma estratégia de assédio legal”, diz ele. Chamamos isso de: “Como silenciar o desconforto sem sujar as mãos.”
O jornalista, com aquele misto de resignação e sarcasmo que só os anos de trabalho trazem, contou que até recebeu um ultimato na porta de sua casa: 15 dias para pagar os dois milhões ou perderá a casa. Porque nada diz “estado de direito” como um bilhete intimidador deixado como se fosse um aviso de cobrança. “Isso é uma violação total da lei”, declarou ele. Mas ei, quem precisa de direitos quando você tem um governador ansioso para mostrar quem manda?
Juízes, linhas diretas e outras fantasias judiciais
González Valdez não morde a língua e acusa o Judiciário de agir como um fantoche do governo. “Em mãos de quem estamos quando os juízes recebem uma linha direta de poder?” ele pergunta. Boa pergunta, Jorge. Embora, para ser honesto, neste país a “imparcialidade judicial” às vezes soe como um oxímoro. O veterano comunicador garante que irá esgotar todos os recursos legais, mas alerta que isso demonstra um estado de direito enfraquecido. Em outras palavras, Campeche está se tornando o novo laboratório para abafar vozes críticas sem que (quase) ninguém proteste.
Enquanto isso, o programa de rádio “Expediente” continua no ar, porque, segundo ele, é por causa da “saudade”. Embora agora pareça mais um ato de resistência. Ironia? Um jornalista reformado, acusado de incitar ao ódio, continua a falar porque o silêncio não é uma opção. Que bela mensagem para as novas gerações: “Nem os aposentados podem salvá-los.”
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