As estatísticas enganosas da Quinta-feira Santa
O governo saiu para se gabar de um fato: na última quinta-feira houve apenas 31 homicídios dolosos em todo o país. Apresentam-no como uma conquista, o segundo menor tempo neste mandato de seis anos. Parece bom em um comunicado à imprensa, certo?
Mas aqui está o truque de mágica estatística. É apenas uma foto de um dia e nem sequer é representativa. Porque se você diminuir o zoom, o filme será diferente.
Abril não começou exatamente em paz. No primeiro dia do mês, essas mesmas fontes oficiais relataram 47 assassinatos. E ao somar os dois primeiros dias, a contagem já chega a 78 pessoas assassinadas. Isso dá uma média diária de 39.
Um dia bom apaga um mês ruim? A memória seletiva é uma arte que eles dominam perfeitamente.
Os estados que lideram a lista macabra
O relatório de ‘dia calmo’ mostrou manchas vermelhas dispersas: Sinaloa (5), Colima (3), Jalisco (3). Mas as estatísticas preliminares de Abril pintam um mapa mais claro e consistente.
Os territórios mais atingidos nestes primeiros dias são:
- Guanajuato: 7 homicídios
- Colima: 6
- Guerreiro: 6
- Veracruz: 6
- Sinaloa: 5
São os mesmos nomes de sempre. A geografia do horror é terrivelmente previsível.
“Na última quinta-feira, 5 de fevereiro, foram registrados pela primeira vez 31 homicídios dolosos, o menor número deste crime até agora no período de seis anos”, reconhece o próprio boletim oficial.
Comemorar que “apenas” mataram 31 pessoas num dia é uma vitória de Pirro. É como estar feliz porque o fogo consumiu apenas um cômodo e não a casa inteira. A normalização do aberrante é o verdadeiro crime.
Enquanto as conferências de imprensa destacam registos positivos isolados, as famílias de Guanajuato, Guerrero ou Veracruz continuam a contabilizar as suas mortes. Números frios nunca mostram essa dor. Eles só são bons para manchetes ocasionais.




