Conseguimos? Os números da violência respiram (sim, sério)
Em uma reviravolta na história que ninguém no Twitter previu, a presidente Claudia Sheinbaum subiu ao palco – desta vez em Cuernavaca, Morelos – para divulgar um fato que fez mais de um piscar de olhos: os homicídios dolosos despencaram 40% nos últimos meses do ano. Passamos de uma média diária assustadora (86,9) para uma que, bem, ainda é assustadora, mas nem tanto (52,4). Acontece que, segundo as contas do governo, dezembro de 2025 foi o mês mais calmo (relativamente falando, ainda é o México) desde 2015. É alguma coisa, certo?
Em seu já clássico espaço matinal, “As manhãs do povo”, a presidente fez o discurso necessário: e se a coordenação estreita, e se o trabalho com os governadores, e se a famosa Estratégia de Segurança Nacional finalmente estiver dando frutos. Basicamente, a mensagem era: “sim, você pode, mas não se preocupe, ainda há trabalho a fazer”. Reconheceu os esforços do Gabinete de Segurança e prometeu que em 2026 eles colocarão mais esforços nos quatro pilares do seu plano: impedir que os jovens se voltem para o crime, consolidar a Guarda Nacional, reforçar a inteligência e melhorar a coordenação com os estados. Na verdade, parece bom no PowerPoint.
Os detalhes que colocam os números em perspectiva
É aí que entra a parte pesada, com gráficos e porcentagens que explicam a sua própria realidade. Marcela Figueroa Franco, secretária executiva do Sistema Nacional de Segurança Pública, explicou que a redução anual da média diária de homicídios foi de 30% entre 2024 e 2025. Ou seja, 2025 é coroado como o ano com menor número de homicídios na última década. Mas, como em todo ranking, há estados que levam a medalha de ouro que ninguém quer: Guanajuato, Chihuahua, Baixa Califórnia, Sinaloa, Estado do México, Guerrero e Michoacán foram responsáveis por mais da metade de todos os casos. Um clássico.
No entanto, na tabela de “melhores melhorias” destacam-se Zacatecas, Chiapas e Quintana Roo, com reduções que ultrapassam os 56%. Mesmo Nuevo León e Guanajuato apresentaram quedas significativas em períodos específicos. O fato curioso? Morelos, sede do evento, reduziu os homicídios dolosos em 26%. Nada mal para o estado que geralmente aparece nas notas vermelhas.
E então veio Omar García Harfuch, o Secretário de Segurança, com seu relatório de realizações do tipo “missão cumprida”: mais de 40 mil detidos, 21 mil armas de fogo apreendidas, 318 toneladas de drogas apreendidas (incluindo um estoque surpreendente de mais de 4 milhões de pílulas de fentanil) e quase 1.900 laboratórios desmantelados. Em Morelos, os números locais foram de 659 prisões e 459 armas apreendidas. Parece uma operação cinematográfica, mas com menos explosões e mais papelada.
A joia da coroa parece ser a Estratégia Nacional Antiextorsão. Segundo os números, capturaram 721 extorsionários e a linha 089 recebeu quase 120 mil ligações, evitando milhares de extorsões em tempo real. Moral da história: se te ligarem ameaçando matar um familiar fictício, é melhor você desligar e denunciar. Pode funcionar.
No final das contas, a mensagem é clara: as estatísticas mostram melhorias. Se é sustentável, se é suficiente, isso já é assunto para outro tópico do Twitter cheio de opiniões divididas. O inegável é que, pela primeira vez em muito tempo, o relatório de segurança não é uma lista interminável de tragédias.
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