Silza operava sem seguro, apesar de uma licença de gás de 30 anos

Eles revelam a sombria história corporativa e as graves omissões de segurança por trás da tragédia que chocou a capital.

Uma licença dourada e um seguro fantasma

Nas sombras do poder, onde os destinos são selados com assinaturas e papéis, surgiu uma empresa com um tesouro inestimável: uma licença federal para transportar gás LP por três longas décadas. A Transportadora Silza, S.A. de C.V., não só obteve a chave de um negócio milionário, como também jurou, sob estritas condições, proteger a população com um escudo de segurança inquebrável. No entanto, numa reviravolta do destino que só a tragédia poderia revelar, esse juramento foi revelado como uma miragem, uma promessa vazia que explodiu em mil pedaços na Ponte Concórdia, manchando Iztapalapa de luto e horror.

RelacionadoTransportadora Silza ativa apólices de seguro após explosão em Iztapalapa

A autorização que mudou tudo

Voltemos no tempo, ao ano de 2006, ao final do mandato de seis anos de Vicente Fox. Num ato que marcaria a história, o Ministério da Energia emitiu um documento que literalmente entregou o futuro à Transportadora Silza. Uma autorização de 30 anos, um reinado completo sobre o transporte de um combustível volátil e letal. A empresa projetou um investimento monumental de 34 milhões e 456 mil pesos em requisitos técnicos, operacionais e financeiros, prometendo infraestrutura de alto nível e equipamentos impecáveis. O sonho de qualquer empresa, um selo de confiança concedido pelo próprio governo. Mas foi tudo tão perfeito quanto parecia?

O especialista Ramsés Pech, oráculo nos intrincados caminhos da energia, desvenda o sistema: o gás LP, aquele elixir energético que alimenta milhões de residências, nasce nas refinarias e viaja através de uma complexa rede de 4 gasodutos principais e 226 licenças de transporte. Silza foi mais uma, mas crucial, peça neste quadro nacional. O período de 30 anos, segundo Pech, é a norma, um compromisso de longo prazo que exige, em troca, uma responsabilidade inabalável. O documento federal era claro: a empresa era obrigada a manter seus veículos em ótimas condições, treinar seu pessoal para prevenir qualquer acidente e, acima de tudo, contratar e manter sempre seguros que cobrissem responsabilidade por danos a terceiros. Foi o pacto não escrito com a nação.

A explosão que revelou a verdade

E então, o mundo parou. O rugido em Iztapalapa não foi apenas uma explosão; Era o som de uma mentira se devorando. Em meio ao caos e à dor, surgiu a questão que ressoou em todos os cantos do país: quem foi o responsável? A resposta veio com um anúncio chocante da Agência de Segurança, Energia e Ambiente (ASEA). Num comunicado que abalou os alicerces do setor, a agência revelou que a Transportadora Silza não tinha apólice de seguro vigente. A notícia caiu como um raio. Como isso foi possível? A empresa, proprietária de uma licença tão valiosa, operava à margem da lei, expondo milhões de pessoas a riscos incalculáveis.

A resposta de Silza foi imediata. Na tentativa de conter o fogo mediático, a empresa emitiu um comunicado garantindo que tinha o seguro necessário e que, claro, assumiria a sua responsabilidade. Mas a dúvida já havia sido semeada. Ramsés Pech, com uma voz cheia de descrença, questionou: “Estou surpreso que a ASEA tenha feito este anúncio quando é sua responsabilidade monitorar se as empresas têm seguros.” A declaração foi um bumerangue que apontou diretamente para as falhas no sistema de supervisão. Pech previu o impensável: devido ao acidente e à ausência da apólice, Silza poderá perder sua preciosa autorização para transportar gás LP. O sonho de 30 anos pode desaparecer num instante.

Um passado que assombra

Mas a trama se complica, porque os pecados do passado sempre voltam para cobrar seu preço. A Silza Gas não é uma entidade isolada; Faz parte de um gigante, o Grupo Tomza, um conglomerado que se autoproclama líder em distribuição, armazenamento e comercialização de Gás LP, e que arvora as bandeiras da “segurança, cuidado e excelência”. No entanto, a máscara da respeitabilidade quebra rapidamente. No ano de 2022, o monstro mostrou sua verdadeira face. A extinta Comissão Federal de Concorrência Econômica (Cofece) multou o Grupo Tomza com uma multa astronômica de 2.414 milhões de pesos por exercer práticas monopolísticas absolutas.

Eu não estava sozinho. Junto com ele, mais 52 empresas e 34 pessoas foram arrastadas ao ridículo público por um dos maiores conluios da história recente do país. A Cofece determinou, com a frieza dos números, que suas ações causaram danos aos consumidores pela quantia obscena de 13.392 milhões de pesos entre 2007 e 2009. Seu crime? Conluio para alterar, aumentar, estabelecer e manipular os preços dos combustíveis, uma facada nas costas da economia das famílias mexicanas e uma transgressão brutal da Lei da Concorrência Económica. Este não foi o registo de um cidadão empresarial exemplar; Era o perfil de um reincidente.

Hoje, as cinzas em Iztapalapa não falam apenas de um acidente; Eles murmuram sobre um sistema fraturado, sobre licenças concedidas sem o devido acompanhamento, sobre empresas que operam impunemente e sobre a fragilidade da vida diante da negligência. A seção número 12 da licença de Silza agora ressoa como uma frase: a licença pode ser revogada por não manter em vigor o seguro contra danos a terceiros e por violar as condições de segurança. A questão que fica flutuando no ar, carregada de drama e urgência, é: a justiça finalmente chegará?

Você conhecia o pano de fundo sombrio desta tragédia? Compartilhe esta pesquisa para que mais pessoas sejam informadas e exijam responsabilização. Explore nossa seção de reportagens especiais para descobrir mais histórias que revelam a realidade por trás das manchetes.

UIF identifica 55 pessoas na rede financeira CJNG

A UIF detectou 55 pessoas ligadas a uma rede financeira CJNG, incluindo 16 empresas de fachada.

A Unidade de Inteligência Financeira (UIF) do México detectou 55 pessoas supostamente ligadas a uma rede financeira do Cartel de Nova Geração de Jalisco (CJNG). A constatação foi alcançada através de indicadores financeiros específicos, conforme reportados pelo Ministério das Finanças e Crédito Público (SHCP).

O comunicado 61 detalha que o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos designou 55 pessoas – 39 pessoas físicas e 16 pessoas jurídicas – relacionadas a esta estrutura. A ação faz parte da cooperação bilateral contra as finanças do crime organizado.

Indicadores detectados

A UIF identificou “indicadores relacionados a possíveis operações com recursos de origem ilícita”. Entre eles: operações em dinheiro, aquisição de veículos de alto padrão, joias e imóveis, transferências internacionais, uso intensivo de cartões de crédito e serviços e inconsistências nos rendimentos reportados ao SAT.

As autoridades detectaram “possíveis inconsistências entre os rendimentos reportados à autoridade fiscal e os recursos observados no sistema financeiro”, o que reforçou a identificação da rede.

Enfrentar empresas e reclamações

Do total, 16 pessoas jurídicas exerciam atividades ilícitas. Segundo a UIF, algumas registaram operações relevantes, enquanto outras eram empresas de fachada com “atividade económica aparente limitada ou inexistente”.

A UIF apresentou denúncia à Procuradoria-Geral da República (FGR) pelo crime de operações com recursos de origem ilícita. Também incluiu os sujeitos designados pela OFAC na Lista de Pessoas Bloqueadas (LPB), e acrescentou oito adicionais – quatro pessoas físicas e quatro pessoas jurídicas – vinculados à mesma estrutura financeira.

Coordenação internacional

O Tesouro sublinhou que as ações coordenadas com os Estados Unidos procuram “prevenir a utilização indevida do sistema financeiro, combater o branqueamento de capitais e enfraquecer as estruturas económicas do crime organizado”. A UIF mantém cooperação com autoridades nacionais e internacionais, de acordo com as normas do Grupo de Acção Financeira (GAFI).

Continuar lendo

Tesouro dos EUA localiza Florença como centro de produção de drogas

O Departamento do Tesouro identificou o município de Zacatecas como base do CJNG para fentanil e cocaína.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos identificou Florencia de Benito Juárez, Zacatecas, como um dos pontos-chave do Cartel da Nova Geração de Jalisco (CJNG) para a fabricação de fentanil, cocaína e metanfetamina.

Segundo a agência, José Octaviano García Martínez é o atual chefe da praça da região, acompanhado por Cuauhtémoc Rivera Zepeda e Uriel Hernández Morales. Estes dois últimos ficariam a cargo dos laboratórios clandestinos de Zacatecas e Jalisco. Todos os três se reportam a Audias Flores Silva – vulgo El Jardinero—, designado como sucessor do falecido líder Nemesio Oseguera Cervantes, El Mencho.

Presença criminosa em um pequeno município

Florencia de Benito Juárez cobre apenas 328 quilômetros quadrados no sul do estado, na Sierra Madre Ocidental, adjacente a Jalisco. Apesar do seu tamanho, o município tem sido palco de operações do crime organizado.

Em Março de 2025, as autoridades desmantelaram um campo utilizado por uma célula criminosa. Meses depois, em junho, destruíram uma estufa usada para o cultivo de maconha. Ambas as operações procuraram neutralizar infra-estruturas ilegais.

O presidente municipal eleito em 2024 é Fortino Cortés Ramírez, que encerrará o mandato em 2027.

Violência recente e resposta federal

No sábado, 18 de julho de 2025, foram encontrados 10 corpos nos municípios de Morelos, Pánuco e Sain Alto. Das vítimas, seis eram empresários da construção, mineração e entretenimento. Outros dois eram funcionários da Câmara Municipal de Fresnillo: Fidel Alvarado de la Torre, secretário de Desenvolvimento Social Municipal, e o bombeiro Jesús Gerardo Muñetón Hernández.

Diante desses acontecimentos, a Secretaria de Defesa Nacional desdobrou 100 elementos das Forças Especiais no dia 22 de julho. Eles se juntaram às 400 tropas do Exército e da Guarda Nacional que já operavam desde 19 de julho.

O conflito na região não é novo. Em 20 de maio de 2011, um confronto entre grupos rivais – conhecido como Guerra de Florença – deixou 77 pessoas mortas. O jornalista Alfredo Valadez Rodríguez documentou este episódio no livro homônimo, publicado pela Ediciones Proceso em 2021.

Continuar lendo

Kenia López Rabadán critica o INE por não interromper as primeiras campanhas

O deputado do PAN exige que a autoridade eleitoral atue sem subordinação face aos atos antecipados.

A presidente do Conselho de Administração da Câmara dos Deputados, Kenia López Rabadán (PAN), questionou a decisão do Instituto Nacional Eleitoral (INE) de retirar da sua agenda o debate sobre a regulamentação das campanhas antecipadas. Ele considerou que a autoridade deve atuar de forma independente para barrar esses atos, principalmente os iniciados pelo Morena em seu processo interno de seleção de candidatos a governadores para 2027.

“A autoridade eleitoral deve fazer uma análise objetiva, clara e evidente, e sem qualquer tipo de subordinação a nada. Esperemos que a autoridade eleitoral possa em breve fazer uma definição clara para que não haja eventos de campanha antecipados”, declarou em conferência de imprensa.

López Rabadán alertou que os processos iniciados fora do calendário eleitoral, mesmo que pretendam ser integrados posteriormente, são ilegais e devem ser sancionados. Insistiu que pré-campanhas sem base legal geram más práticas para o país.

Posição sobre o projeto do Conselheiro Montaño

O legislador também rejeitou o projeto de “Diretrizes Gerais para regular e fiscalizar os processos, atos, atividades e propaganda realizadas nos processos políticos” promovido pelo conselheiro Jorge Montaño. Salientou que qualquer modificação na lei deveria ter sido feita 90 dias antes do início do processo eleitoral, e não agora.

“Se quiserem modificar a lei, terão até 90 dias antes do início do processo eleitoral para modificar as regras eleitorais. Se nos habituarmos a que a lei seja violada e ninguém diga nada, será terrível para o país”, afirmou.

O apelo do deputado do PAN surge num momento em que o Morena avança na definição dos seus candidatos para 2027, o que tem levantado alertas sobre possíveis atos precoces de proselitismo. O INE, por seu lado, não emitiu posição oficial após retirar o tema da ordem do dia.

Continuar lendo