Sheinbaum nega opacidade na ajuda a Cuba

O presidente nega que Cuba tenha pedido para reservar dados sobre a ajuda enviada e afirma que não há nada a esconder.

“É falso”: Sheinbaum responde às acusações sobre ajuda a Cuba

O cenário político tem um novo capítulo de tensão. A presidente Claudia Sheinbaum saiu nesta quinta-feira para negar categoricamente informações publicadas pelo EL UNIVERSAL. O jornal afirmava que o México tinha concordado em reservar por cinco anos os detalhes da ajuda humanitária enviada à ilha.

“É falso. Cuba não nos perguntou, e imagine como Cuba vai nos dizer: ‘reserve a informação’. Temos nossas próprias regras”, declarou o presidente com veemência.

A nota jornalística sugeria que a ocultação era justificada para não colocar em risco as relações bilaterais. Sheinbaum não apenas negou, mas também fez uma pergunta retórica cheia de drama: como um país estrangeiro ousaria dar ordens ao México?

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A defesa de uma política externa histórica

Para o governo, esta não é uma questão menor. É a pedra angular da sua narrativa de soberania e transparência. “Cuba nunca pediu ao México que reservasse informações. E, em qualquer caso, se o fizer, cabe a nós publicá-las ou não”, disse Sheinbaum, traçando uma linha clara na areia.

Seu argumento é duplo. Primeiro, negue o fato. Em segundo lugar, defenda o princípio: o México decide. Não há espaço para ambiguidade quando a integridade da administração é questionada.

“Não temos nada a esconder de Cuba, pelo contrário, temos orgulho de apoiar o povo cubano”, afirmou.

Mas aqui está o detalhe que muitos ignoram. A ajuda existe e é abundante. Sheinbaum confirmou que as exportações de combustíveis continuam e que se procuram mecanismos para manter o fluxo sem afectar as finanças nacionais. É um apoio concreto, com um custo real.

O presidente enquadrou esta ação dentro de uma tradição histórica. Ele lembrou os programas sociais para a América Central, o apoio aos refugiados sul-americanos e a assistência em desastres como os incêndios no Chile e na Califórnia.

“O México é um país com uma bela tradição de fraternidade. Todo e qualquer mexicano deveria sentir orgulho disso”, expressou ele.

É uma jogada de mestre. Transforma uma acusação específica sobre a opacidade numa defesa geral da política externa mexicana. A mensagem subjacente é clara: criticar esta ajuda é criticar um pilar fundamental da identidade nacional.

Porém, uma questão permanece pairando no ar, como a fumaça após o tiro inicial. Se não há nada a esconder e tudo é transparente, porque surge esta polémica? No teatro político, às vezes a recusa mais enfática é o que mais chama a atenção para o cenário em discussão.

AT&T México perde um milhão de usuários pré-pagos devido ao registro obrigatório

Um milhão de usuários pré-pagos cancelaram a assinatura da AT&T México devido ao registro obrigatório.

Registro obrigatório de linhas móveis chega à AT&T México

O processo obrigatório de registro de linha celular teve um forte impacto na base de clientes pré-pagos da AT&T México. Durante o segundo trimestre de 2026, a empresa perdeu um milhão de usuários nesse segmento. Ao final de junho, contava com 15 milhões 829 mil clientes pré-pagos, segundo seu resultado financeiro.

Em contrapartida, o serviço pós-pago apresentou crescimento significativo. A empresa conquistou 369 mil novos clientes, um aumento de 20,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Assim, atingiu um total de 7 milhões 457 mil usuários ao final do semestre.

Desde Janeiro, as empresas de telecomunicações começaram a registar as linhas móveis no registo nacional. No entanto, apenas 43% das linhas estavam cadastradas até o momento. Diante disso, o governo federal estendeu o prazo para conclusão do processo. A suspensão do atendimento para quem descumprir começará em etapas entre 15 de agosto e 31 de dezembro.

A diretora geral da AT&T México, Mónica Aspe, indicou que a empresa concentrará seus esforços na conclusão com sucesso do processo de vinculação durante o segundo semestre do ano. Por seu lado, a consultora The Competitive Intelligence Unit (CIU) atribuiu a redução das linhas pré-pagas ao registo obrigatório.

Apesar da diminuição no número de usuários pré-pagos, a AT&T reportou receita total de US$ 1.224 milhões no segundo trimestre. Isto representou um crescimento anual de 16,1%, impulsionado principalmente por uma taxa de câmbio favorável. Além disso, a empresa destacou o fortalecimento de sua rede e a implantação de infraestrutura 5G em estádios e áreas de Fan Fest durante a Copa do Mundo, como parte de sua estratégia de crescimento.

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EUA planejam tarifa de 10% sobre o México para trabalho forçado

Uma nova taxa de 10% substituiria as tarifas temporárias dos EUA ligadas ao cumprimento das regras laborais.

Os Estados Unidos estão a avaliar a substituição das tarifas temporárias que expiram esta semana por um regime regional centrado no combate ao trabalho forçado e infantil. A medida imporia um imposto de 10% sobre os produtos mexicanos, segundo especialistas em comércio internacional.

Novo esquema tarifário

O imposto estaria vinculado ao cumprimento da legislação trabalhista e à proibição de importação de bens fabricados com trabalho forçado ou infantil. Aplicar-se-ia também a factores de produção provenientes de países terceiros onde existam estas práticas. As sanções poderão atingir regiões inteiras e não apenas empresas específicas.

Adrián Castillo, sócio da Von Wobeser y Sierra, destacou que se as autoridades norte-americanas detectassem sinais de trabalho forçado numa empresa numa determinada área, as restrições comerciais seriam estendidas a toda a região. Lembrou que o T-MEC já inclui disposições contra bens produzidos nessas condições e que o México implementou mecanismos de certificação desde 2025.

Impacto regional

Jorge Molina, especialista em comércio exterior, indicou que o novo imposto substituirá a tarifa temporária estabelecida por Washington e responde à estratégia do presidente Donald Trump. Ele acrescentou que a medida visa impedir que produtos fabricados com insumos chineses entrem no mercado norte-americano através do México.

Os detalhes precisos do esquema serão conhecidos nos próximos dias, mas os especialistas alertam que afectará especialmente sectores com elevada exposição à cadeia de abastecimento regional.

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Cães treinados para inspeção sanitária na América Central e no Caribe

Cinco casais de cães estão treinando no México para reforçar a detecção de pragas na região.

Treinamento de duplas caninas para saúde regional

O Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural (Sader) iniciou a capacitação de cinco duplas caninas que participarão de tarefas de fiscalização sanitária na América Central e no Caribe. O objectivo: reforçar a detecção de pragas e doenças que afectam plantas e animais e prevenir a sua propagação entre países.

Os cães, integrantes da Geração 82 do Centro de Treinamento Canino (Ceacan), foram cedidos pelo Serviço Nacional de Saúde, Segurança e Qualidade Agroalimentar (Senasica) a quatro oficiais da República Dominicana e um de Belize. Durante seis semanas receberão formação especializada antes de ingressarem em tarefas de inspeção nos seus respetivos países.

Na cerimónia de boas-vindas, Jorge Bustamante Rojano, diretor de Gestão Estratégica dos Serviços de Quarentena de Senasica, destacou que este programa não só fortalece a proteção da saúde, mas também promove a cooperação regional. As equipes caninas serão fundamentais na identificação de produtos que possam representar risco fitossanitário em portos, aeroportos e fronteiras.

A iniciativa faz parte dos esforços do México para partilhar a sua experiência em saúde agroalimentar com as nações vizinhas. O treinamento inclui técnicas para detecção de odores específicos de pragas e doenças, bem como manejo seguro de animais durante as inspeções. Ao final do curso, os binômios serão certificados para operar sob os padrões internacionais da Convenção Internacional de Proteção Fitossanitária.

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