O roteiro que Trump inventou
A cena é digna de uma peça de teatro político. Donald Trump afirma que em sua ligação com Claudia Sheinbaum, ela concordou em parar de enviar petróleo para Cuba. Mas o presidente mexicano sobe ao palco em Guaymas e diz: corte. A versão é falsa.
“Como eu disse na conferência de imprensa: nunca conversamos com o presidente Trump sobre a questão do petróleo com Cuba”, declarou Sheinbaum energicamente.
Então o que aconteceu? Segundo ela, a questão do petróleo bruto foi discutida, mas por outra via diplomática. Foi o ministro das Relações Exteriores, Juan Ramón de la Fuente, quem abordou o assunto com o secretário do Departamento de Estado, Marco Rubio, na última sexta-feira.
Ajuda humanitária versus tarifas
Enquanto Trump impõe tarifas a qualquer país que envie combustível para a ilha, o México prepara a sua própria ação. Sheinbaum anunciou que um carregamento de ajuda humanitária partirá esta semana para Cuba.
“Em uma semana estamos planejando ajuda humanitária a Cuba… para alimentos e outros produtos”, explicou.
A Marinha ficará encarregada da operação. É um gesto claro: face ao bloqueio discursivo e comercial, o México responde com assistência básica. Alimento por petróleo, parece ser a equação temporal.
Sheinbaum insistiu que procurarão “através de todos os canais diplomáticos” resolver a questão do transporte de petróleo bruto por razões humanitárias. Mas ela não vai esperar sentada.
“Enquanto isso, vamos enviar outros produtos que são essenciais para o povo cubano”, afirmou.
Aqui não há nenhum ato de submissão ao roteiro americano, como Trump pretendia pintar. Existe um guião alternativo, escrito a partir do México: diplomacia firme combinada com acção humanitária imediata. A cortina não cai; ele mal se levanta para esse primeiro ato complexo.




