A versão oficial e os áudios que não cabem
Claudia Sheinbaum saiu hoje para mostrar a cara. Sua mensagem foi clara: não há nenhuma investigação em andamento contra o almirante Raymundo Morales Ángeles, chefe da Marinha. A questão é o chamado ‘huachicol fiscal’, aquele contrabando de combustível que custou bilhões ao país.
Mas aqui está o detalhe doloroso. A declaração ocorre logo depois que alguns supostos áudios vazaram. Neles, o já falecido contra-almirante Fernando Rubén Guerrero denunciou o caso e relatou um encontro com Morales Ángeles e seu antecessor.
“Não há linhas de investigação contra o secretário e toda uma linha de investigação relacionada ao chamado huachicol fiscal está aberta… Ainda há prisões pendentes”, disse o presidente.
É curioso. O crime está sendo investigado, mas não ao chefe da instituição onde supostamente ocorreu. Como você come isso? A memória é frágil, mas os arquivos não. Guerrero falou antes de morrer e agora sua voz gravada é um fantasma desconfortável.
Sheinbaum confirmou que existem pedidos de extradição de alguns empresários, entre os quais são citados os Jensens. A quantia de 600 bilhões de pesos, diz ele, é apenas uma “estimativa”.
O mais revelador é sempre o que se omite. É anunciada uma “diminuição substancial” do contrabando e do trabalho de vigilância permanente. Parece bom na fala. Mas a questão que fica flutuando no Palácio Nacional é mais simples: se tudo está indo tão bem, por que esses áudios estão saindo agora e por que a investigação parece não querer subir na cadeia de comando?
A Procuradoria-Geral da República tem a bola. Teremos que esperar, dizem-nos. Como de costume.




