Porque nada representa mais “diplomacia profissional” do que ex-membros do PRI e ex-funcionários de consulados
Ah, a magia da “pluralidade”. A Presidente Claudia Sheinbaum, numa demonstração de criatividade geopolítica, defendeu com unhas e dentes a sua lista de 200 candidatos para ocupar consulados mexicanos nos Estados Unidos. Entre eles, figuras tão imparciais como Luis Rodríguez Bucio, ex-comandante da Guarda Nacional, e outros cujos méritos parecem ser… bem, ainda não está claro quais são. Mas ei, pelo menos eles falam inglês (ou é o que dizem).
O comitê de seleção: roleta russa ou concurso de popularidade?
Em seu agora clássico monólogo matinal do Palácio Nacional, Sheinbaum explicou com uma cara de pôquer que o processo era “transparente”. Segundo ela, procuravam pessoas com “sensibilidade social” (tradução: que não rissem quando lhes disseram que trabalhariam para migrantes). O Serviço Exterior Mexicano, aquela entidade mitológica que supostamente cuida da diplomacia, foi gentilmente convidado a participar… junto com metade do partido Morena e alguns membros reciclados do PRI.
“Se tivéssemos proposto outras pessoas, elas também nos teriam criticado”, declarou Sheinbaum, demonstrando uma lógica irrefutável: já que vão sempre reclamar, porque não nomear o primo do vizinho cabeleireiro de AMLO? É claro que todos estão “em julgamento”, o que na política significa “até que alguém vaze um áudio comprometedor”.
A lista dos escolhidos: consulados ou prêmios de consolação?
Entre os sortudos destacam-se:
– Carlos Iriarte, ex-prefeito de Huixquilucan, hoje especialista em relações binacionais… em Boston.
– Marco Antonio Mena, ex-governador de Tlaxcala, porque que melhor preparação para São Francisco do que ter administrado um estado que ninguém coloca no mapa?
– Neftalí Pérez, do programa Jovens Construindo o Futuro, porque nada equivale a ser cônsul como distribuir bolsas de estudo (e esperemos que ele não confunda vistos com vale-alimentação).
E caso faltasse alguma coisa, Marcos Bucio (sim, outro Bucio, porque no México a diplomacia é de família) foi premiado com um consulado após sua bem sucedida gestão no IMSS. Prioridades? O que é isso?
Pagamento de favores? E aí! É apenas uma chance de que posições-chave sejam ocupadas por partidários do regime. Como diria Sheinbaum: “Todo mundo é testado.” Embora, olhando para a história, o teste pareça ser “suportar os memes sem desistir”.
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