Putin decreta recrutamento de 135 mil pessoas para o serviço militar

Um novo apelo afeta milhares de jovens, enquanto o Kremlin reitera que não está ligado ao conflito na Ucrânia.

Uma medida recorrente na estratégia de defesa russa

O presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, deu um passo crucial nesta segunda-feira ao promulgar um decreto presidencial autorizando a convocação de 135.000 cidadãos para ingressar no serviço militar obrigatório durante o outono. As autoridades do Kremlin têm sido enfáticas ao esclarecer que este contingente de novos militares não será destacado para operações que decorrem em território ucraniano, procurando com esta precisão acalmar as preocupações sobre uma escalada do conflito.

Esta iniciativa, que se insere num procedimento habitual que se realiza semestralmente, dirige-se especificamente a jovens entre os 18 e os 35 anos que não integram as unidades de reserva. A fase de alistamento correspondente a este ciclo ocorrerá oficialmente entre 1º de outubro e o último dia de dezembro, conforme detalhado nas comunicações e documentos oficiais emitidos pelo governo.

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Desligamento explícito do conflito na Ucrânia

Um dos altos funcionários do gabinete de mobilização do Estado-Maior General das Forças Armadas Russas, o coronel Vladimir Tsimlianski, já tinha dado indicações na semana anterior sobre esta próxima revolta em massa. Durante as suas declarações, insistiu que esta medida de recrutamento não tem qualquer ligação com o que o governo chama oficialmente de “operação militar especial“, que é o termo usado por Moscovo para se referir à ofensiva lançada contra a Ucrânia.

Nesta mesma linha de argumentação, o Coronel Tsimlianski sublinhou que os recrutas, que começarão a receber as suas convocações tanto eletronicamente como através do serviço postal tradicional, realizarão os seus períodos de formação e serviço exclusivamente dentro das fronteiras da Rússia. Esta informação foi confirmada e divulgada pela renomada agência de notícias Interfax, um dos mais importantes meios de comunicação do país.

O próprio Presidente Putin descartou pública e repetidamente a possibilidade de realizar uma mobilização generalizada semelhante à implementada em 2022, que foi uma resposta direta às necessidades logísticas e de pessoal que surgiram após o início da invasão da Ucrânia. Esta posição permanece firme apesar do facto de relatórios e estimativas fornecidos por fontes oficiais ucranianas sugerirem que as vítimas russas, incluindo mortos e feridos, ultrapassam agora um milhão de pessoas.

O atual contexto geopolítico mantém grande tensão e decisões como esta são cuidadosamente analisadas por observadores internacionais. O recrutamento militar é uma componente fundamental da doutrina de defesa nacional russa e a sua execução periódica garante uma renovação constante das suas tropas. Contudo, num cenário de conflito prolongado, cada movimento é interpretado em relação à guerra. A insistência em dissociar este decreto da situação na Ucrânia parece ser uma estratégia deliberada para gerir a percepção pública, tanto interna como externa, e evitar o alarmismo. A capacidade da Rússia de manter os seus ciclos regulares de recrutamento, ao mesmo tempo que sustenta um esforço de guerra em grande escala, é um tema de amplo debate entre os analistas, que avaliam o impacto a longo prazo na demografia e na economia do país. A distinção entre o serviço militar normal e a mobilização forçada é crucial para compreender a narrativa do Kremlin e a sua projeção de normalidade no meio de uma crise internacional.

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Canadá cancela cerimônia com os EUA devido às ameaças tarifárias de Trump

Ottawa cancela evento conjunto com Washington devido a tensões tarifárias. A ponte será inaugurada em 27 de julho.

O Governo do Canadá decidiu cancelar a cerimónia conjunta com os Estados Unidos para a inauguração da nova Ponte Internacional Gordie Howe, que liga Windsor a Detroit. A medida responde às recentes ameaças tarifárias do presidente Donald Trump.

“À luz das ações comerciais ameaçadas pelos Estados Unidos esta semana, seria inapropriado avançar com um evento comemorativo entre os dois países”, disse Jenna Ghassabeh, porta-voz do ministro canadense de Infraestrutura, Gregor Robertson.

O evento binacional estava marcado para 24 de julho com autoridades dos dois países. Porém, Ottawa manterá a data de abertura ao trânsito em 27 de julho, com comemoração exclusivamente canadense.

Tensão comercial e trabalho-chave

A decisão surge depois de Trump ter anunciado tarifas de 50% sobre várias importações canadianas, argumentando um alegado tratamento discriminatório de automóveis, bebidas alcoólicas e produtos lácteos norte-americanos.

A ponte Gordie Howe exigiu um investimento de US$ 4,7 bilhões. É uma das obras de infraestrutura mais relevantes da América do Norte e visa desafogar o fluxo da Ponte Embaixador, por onde circularam 126 bilhões de dólares em mercadorias durante 2023.

Apesar da suspensão do evento conjunto, a passagem de fronteira começará a funcionar conforme programado.

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O número oficial de mortes por terremotos na Venezuela sobe para 5.346

5.346 mortos e 16.740 feridos: novo balanço oficial após os terremotos de 24 de junho na Venezuela.

As autoridades venezuelanas atualizaram esta terça-feira o balanço oficial do duplo terramoto registado em 24 de junho. O número de mortos sobe para 5.346 depois de somar 68 mortes adicionais nas últimas horas.

Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, informou que os feridos continuam em 16.740. Um total de 17.265 pessoas permanecem desabrigadas, enquanto 23.122 vítimas permanecem alojadas em 107 campos temporários. Até agora, as autoridades prestaram cuidados a 128.324 famílias afectadas.

Danos materiais e desaparecimentos

O relatório oficial registra 856 edifícios danificados e 190 desabados. Organizações da sociedade civil estimam 29.460 pessoas desaparecidas sob os escombros, número que o governo não confirmou oficialmente.

Esta nova contagem é divulgada 27 dias após os terremotos que geraram uma emergência humanitária de grande escala no país. Rodríguez divulgou os dados por meio de seu canal Telegram, onde detalhou o andamento do trabalho de atendimento aos afetados.

As autoridades mantêm tarefas activas de busca, salvamento e assistência humanitária nas áreas afectadas. Milhares de pessoas continuam a depender da ajuda estatal e da cooperação internacional para enfrentar as consequências da tragédia.

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O esqueleto de um gigante do Triássico é restaurado na Polônia

Voluntários restauram esqueleto de anfíbio pré-histórico de 6 metros de comprimento em Varsóvia.

Voluntários restauram o fóssil de um colosso pré-histórico em Varsóvia

No Centro Científico Copernicus, em Varsóvia, uma equipa de mais de 2.000 voluntários está a trabalhar na restauração do esqueleto de um Mastodonsaurus, um anfíbio gigante que viveu há 240 milhões de anos. Com cinzéis, escovas e óculos de proteção, eles removem milímetro a milímetro a rocha que cobre os ossos.

Os visitantes observam através de uma janela o andamento do trabalho. O esqueleto mede quase 6 metros e pesa 1.300 quilos. Será o maior do género exposto num museu do mundo, segundo Tomasz Sulej, paleontólogo da Academia Polaca de Ciências.

Uma experiência aberta aos cidadãos

Os voluntários não são cientistas, mas gestores, pessoal de limpeza e tatuadores, entre outros. Eles recebem treinamento e equipamentos de proteção antes de sessões supervisionadas de duas horas. “Imagino que esses ossos estiveram no subsolo durante 240 milhões de anos e sou o primeiro ser humano a tocá-los”, comentou Tatyana Kozyk, coordenadora da equipe.

O espécime foi descoberto no sul da Polônia em 2023 por Sulej e Wojciech Pawlak. Ao contrário de outros achados na Alemanha e na Rússia, que medem de 2 a 3 metros, este exemplar oferece novas informações sobre a espécie. “A estrutura do corpo é diferente do que conhecíamos”, disse Sulej.

Uma mensagem de resiliência natural

Dorota Serafín, gestora de 51 anos, descreveu a experiência como “relaxante e filosófica, até mística”. O Mastodonsaurus viveu após a maior extinção em massa do planeta, pouco antes da ascensão dos dinossauros. Para Sulej, a sua história envia uma mensagem de esperança face às alterações climáticas: “A natureza e a vida encontram sempre formas de sobreviver”.

A restauração será concluída em outubro ou novembro. O esqueleto será então exposto ao público no mesmo centro.

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