Uma investigação coordenada pela Alemanha e pelo Reino Unido, com o apoio da Europol, revelou um fenómeno organizado: agressões sexuais cometidas em relações românticas, impulsionadas por comunidades online misóginas. A operação, batizada de Projeto Medusa, começou em abril de 2026 e foi anunciada neste fim de semana.
Participaram forças de segurança de sete países europeus, além de Brasil, Canadá e Estados Unidos. A Europol coordenou o intercâmbio de informações. Os resultados: foram identificadas 156 pessoas, entre vítimas e supostos agressores, abertas 274 novas linhas de investigação e localizadas quatro comunidades virtuais que promoviam esses crimes. Até agora, foram iniciadas 113 investigações criminais.
Chaves para a investigação
As autoridades descreveram o caso como uma mudança de abordagem: não se trata de acontecimentos isolados, mas sim de um fenómeno reforçado por espaços digitais onde os agressores partilham métodos e normalizam comportamentos abusivos. Segundo a Europol, muitos suspeitos usaram aplicações de mensagens encriptadas e fóruns privados para planear ataques e facilitar o comércio ilegal de medicamentos sedativos.
“A investigação mostra que esses ataques não são atos isolados, mas um fenômeno de massa alimentado pela dinâmica de grupo online”, observou a agência.
Os investigadores sustentam que estas comunidades funcionam como câmaras de eco que promovem a objectificação e a desumanização das vítimas, quase sempre mulheres. Em muitos casos, os abusos continuaram durante anos e foram cometidos por pessoas em posições de confiança ou autoridade.
Além dos crimes sexuais, são investigadas a administração de substâncias sedativas, lesões graves e até tentativa de homicídio, devido ao risco das drogas utilizadas para incapacitar as vítimas. A operação lembra, pela sua modalidade, o caso de Gisèle Pelicot na França.
A Europol destacou que a cooperação internacional e o intercâmbio permanente de informações foram decisivos para identificar os responsáveis. A mensagem: aqueles que usam o anonimato da Internet para organizar estes crimes “não podem contar com a impunidade”.




