O caso que abala o esporte (e as redes)
A Procuradoria de Nuevo León decidiu hoje que o carma (ou pelo menos o sistema judicial) alcançou Damazo, o ex-técnico do Inde acusado de abusar de jovens ginastas. Sim, o mesmo que há anos evitava consequências como se fosse um exercício de solo. O mandado de prisão veio com o selo oficial: “fatos que constituem crime equiparável a estupro”. Em outras palavras, nada de “mal-entendidos” ou “exageros”, como costumam dizer os fanáticos da impunidade.
Audiências, marchas e proteção controversa
A audiência de acusação, que deveria ocorrer na terça-feira, foi adiada porque a defesa de Damazo alegou que não teve tempo de analisar o processo da investigação. Clássico. Como quando você pede uma prorrogação do dever de casa, mas neste caso é para evitar que seu cliente enfrente acusações de agressão sexual. Hoje, finalmente, o show jurídico continua no Palácio da Justiça de Monterrey, com duas manifestações paralelas: uma de familiares das vítimas com o slogan “As meninas não se tocam” (obviamente) e outra, segundo rumores, organizada por Martha Hinojosa, mãe dos acusados e proprietária das academias Klass (sim, aquelas que o Ministério Público revistou). Coincidência? Não acreditamos nisso.
Enquanto isso, o ex-técnico gozava de uma proteção concedida em abril por um tribunal criminal, porque o sistema às vezes recompensa aqueles que menos a merecem. Mas as vítimas não ficaram de braços cruzados: duas ginastas apresentaram queixa contra essa decisão. Caso alguém duvide de sua determinação.
Onze reclamações e um padrão alarmante
Damazo não tem uma, nem duas, mas onze denúncias de abuso sexual. Onze. Um número que deveria disparar todos os alarmes, mas que até agora só gerou indiferença institucional. As acusações surgiram no âmbito do 8M, quando várias jovens revelaram que sofreram ataques quando crianças, entre os 10 e os 11 anos. E, como costuma acontecer, depois da primeira reclamação pública, chegaram mais. O Ministério Público já possui um arquivo denso com depoimentos que vão de 2014 a 2022. De quantos sinais a mais eles precisavam?
As buscas nas academias e na casa dos acusados foram o primeiro passo, mas hoje é o dia em que a justiça (ou algo semelhante) poderá começar a agir. É claro que, num país onde normalmente são arquivados casos de abuso, continuaremos respirando pela ferida.
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