O fugitivo da justiça que preferiu o cais dos ausentes
Ah, justiça federal, aquela entidade que sempre sabe fazer tremer os poderosos… ou pelo menos ignorar com estilo suas intimações. Alejandro Irarragorri, o magnata por trás de Santos Laguna e Atlas, foi oficialmente declarado fugitivo por suposta fraude fiscal de mais de 17 milhões de pesos. Sim, você leu certo: 17 milhões. Com essa quantia, poderia-se comprar vários jogadores médios ou, caso contrário, pagar impostos como qualquer mortal.
Acontece que em 24 de março, Irarragorri decidiu que uma audiência não era tão importante quanto seus outros compromissos (um jogo de golfe? uma reunião para sonegar mais impostos?). A Procuradoria-Geral da República (FGR), com sua infinita paciência, emitiu um mandado de prisão porque, aparentemente, não gostou que o empresário os denunciasse. Claro, ele tentou se justificar por escrito, mas os juízes, seres muito exigentes, consideraram que suas desculpas eram tão válidas quanto um pênalti perdido nos acréscimos.
A arte de não aparecer (e sair impune)
O mais irônico é que Irarragorri apareceu no dia 20 de março… por videochamada. Mas o juiz, numa onda de nostalgia pelos julgamentos presenciais, decidiu que a próxima audiência seria presencial. E o que nosso protagonista fez? O que qualquer um faria: ignorá-la. Afinal, por que se preocupar em cumprir a lei quando você pode delegar a presidência do clube ao seu filho de 24 anos? (Alejandro Irarragorri Kalb, caso alguém queira saber quem vai herdar essa bagunça).
A acusação vem de um pagamento de 54,2 milhões de pesos que o Santos Laguna fez a jogadores e treinadores sob o conceito de bônus compensatórios, que, por coincidência, estão isentos de impostos. O Ministério Público Federal (PFF) alega que tudo não passou de um esquema para não pagar o ISR. Usar contrato coletivo com sindicato hoteleiro para pagar jogadores de futebol? Parece tão criativo quanto ilegal.
Enquanto isso, a defesa de Irarragorri alega que o mandado de prisão foi emitido sem cumprimento de formalidades. Claro, porque neste país as formalidades são como as penalidades: às vezes são assinaladas, às vezes não, e quando não o são, há sempre alguém a reclamar.
O que vem a seguir? Uma protecção, porque no México nenhum escândalo estaria completo sem ela. Enquanto isso, o empresário continua na lista dos “mais procurados” do sistema de justiça mexicano, embora provavelmente não seja tão procurado quanto um atacante estrela na temporada de transferências.
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