O dia em que a história mudou
No dia 22 de junho de 1986, no Estádio Azteca, Diego Armando Maradona escreveu duas páginas indeléveis do futebol mundial. A Argentina enfrentou a Inglaterra nas quartas de final da Copa do Mundo de 86 do México. Quatro décadas depois, aquela partida ainda é mais lembrada que a final que a Albiceleste venceu no mesmo palco.
“Essa tarde é um dia nacional na Argentina”, diz Daniel Arcucci, biógrafo de Maradona.
A carga emocional foi além do esporte. A Guerra das Malvinas (1982) ainda era uma ferida aberta. Maradona, embora antes da partida tenha declarado que era apenas futebol, carregava dentro de si o desejo de dar conforto ao seu povo.
Objetivos que explicam um mito
Primeiro veio o gol com a mão, que o próprio Diego definiu anos depois como “roubar carteira de ladrão”. Depois, a obra-prima: driblou metade da seleção inglesa para marcar aquele que muitos consideram o melhor gol da história.
“Isso explica porque Maradona é um mito: um gol com a mão e outro drible contra tantos ingleses”, resume Arcucci.
Trinta anos depois, em sua casa em Buenos Aires, Maradona confessou ao biógrafo: “Sentíamos que estávamos vingando aqueles meninos”. Ele se referia aos que caíram nas Malvinas.
A Azteca tornou-se sua catedral. Voltando ao estádio em pleno século 21, Maradona disse: “Como posso não me lembrar se este lugar é a catedral da minha vida?” A partida de 22 de junho de 1986 continua a ser, para milhões de pessoas, o momento em que o futebol transcendeu o campo.




