Justiça mexicana, agora com um roteiro pré-escrito
Ah, surpresa. Acontece que as eleições judiciais de 1º de junho prometem ser tão autênticas quanto um projeto de lei de três pesos. O JUFED, aquele grupo de juízes que ainda acredita no que se chama de “Estado de Direito”, acaba de divulgar um comunicado que, traduzido do espanhol burocrático para o espanhol coloquial, diz: “Isto é um circo, e nós somos os palhaços”.
Segundo esses valentes (ou ingênuos) magistrados, os famosos acordeões com nomes de candidatos nada mais são do que a prova de que Morena brinca de esconde-esconde com a democracia. Mas quem teria pensado? Um partido político usando truques na manga. Que novidade! Como se não soubéssemos que no México a política é o único esporte onde trapacear não só é permitido, mas também dá pontos extras.
O manual do simulador eleitoral perfeito
A juíza federal Juana Fuentes Velázquez, presidente da JUFED, deixou cair pérolas como a de que este processo é “uma estratégia para transformar o Judiciário em um fantoche do governo”. Uau, sério? Não era óbvio, já que alguém pensou que escolher os jurados como se fossem rainhas da beleza era uma boa ideia? Porque, claro, nada diz mais “independência judicial” do que uma votação popular onde, segundo Fuentes, os candidatos já estão pré-selecionados como menu do dia.
E caso faltasse alguma coisa, o JUFED lançou a bomba: este não é apenas um trabalho de Morena, mas conta com o apoio entusiástico do crime organizado. Porque que melhor maneira de legitimar a justiça do que com um toque de narcopolítica? Em suma, se o Senado, o Presidente e até a mídia assim o dizem, de quem somos nós para duvidar?
A declaração ousa até citar Benito Juárez, aquele herói que deve estar revirando no túmulo toda vez que alguém menciona “Estado de Direito” e “simulação” na mesma frase. “Não há nada maior do que o respeito à lei”, afirmou o Benemérito. Porém, vendo como vão as coisas, hoje eu diria: “Não há nada maior do que a audácia do poder”.
O PAN também entra no comboio do sarcasmo
Enquanto isso, o PAN, aquele partido que de repente se lembrou que a ética existe, grita dos assentos: “É uma feira de acordeão!” Jorge Romero, seu líder nacional, garante que isto terminará em juízes amigos do governo, como se isso fosse uma revelação e não o roteiro óbvio desta tragicomédia. “É praticamente uma lista de pessoas ligadas ao regime”, diz Romero. Uau, que perspicaz. E o céu é azul?
O senador Ricardo Anaya, por sua vez, resumiu o sentimento geral: “É uma fraude”. Breve, conciso e tão óbvio que dói. Mas alguém esperava outra coisa num país onde até as eleições para as associações de pais são fraudadas?
O que vem a seguir? Vamos sortear ministros? Porque, honestamente, não parece muito pior do que o que já temos.
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