Irã e EUA em impasse à medida que a guerra aumenta

O Irão e os EUA endurecem as suas posições à medida que a guerra se expande. O controlo do Estreito de Ormuz é fundamental.

A tensão aumenta, as palavras também

Na quinta-feira ficou claro: o Irão e os Estados Unidos continuam a dialogar duramente a partir de trincheiras opostas. À medida que as negociações de cessar-fogo estagnam, mais tropas dos EUA entram na região. A sombra de uma grande subida é longa.

Donald Trump estendeu até 6 de abril o prazo para o Irã reabrir o Estreito de Ormuz. Teerão, em resposta, não só mantém o seu controlo sobre essa rota crucial, mas, de acordo com um bloco árabe, agora cobra uma portagem pela passagem segura.

Jasem Mohamed al-Budaiwi, secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo, afirmou que “o Irã cobra pela passagem segura”.

O Lloyd’s List Intelligence chama isso de “regime de ‘pedágio de fato'”. Pelo menos dois navios pagaram em yuans chineses.

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Uma guerra de atrito com um gargalo global

Para Washington, os objectivos têm mudado: desde acabar com os programas nucleares do Irão até derrubar o governo teocrático. Os ataques foram duros, com líderes militares abatidos e infra-estruturas destruídas.

Mas o Irão continua a disparar mísseis. Para a sua liderança, resistir já é uma vitória. A sua estratégia parece clara: suportar o golpe e estrangular a economia mundial controlando Ormuz, por onde passam 20% do petróleo e do gás globais.

O preço do petróleo bruto Brent aumentou mais de 40% desde o início da guerra.

Trump prometeu atacar as usinas iranianas se não reabrirem o estreito dentro do prazo. Teerão ameaça retaliar infra-estruturas vitais, como centrais de dessalinização.

Trump disse que adiou o prazo porque as negociações estão indo “muito bem”.

Mas os fatos pintam um quadro diferente. Através de intermediários como o Paquistão e o Egipto, os EUA forneceram uma “lista de acções” de 15 pontos para um possível acordo. O Irão tem a sua própria proposta de cinco pontos, incluindo reparações e reconhecimento da soberania sobre Ormuz.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, foi enérgico:

“Os Estados Unidos tentaram enviar mensagens ao Irã através de outras nações, mas isso não é uma conversa ou uma negociação.”

Assim como as palavras voam, os navios também voam. O USS Tripoli aproxima-se do Médio Oriente com cerca de 2.500 fuzileiros navais. Pelo menos mais 1.000 pára-quedistas receberam ordem de mobilização.

Ali Bahreini, enviado iraniano em Genebra, alertou que qualquer tentativa de invasão terrestre seria um erro “grave”.

Em Israel, soaram sirenes para mísseis iranianos. Eles relataram bombardeios intensos perto de Isfahan, uma cidade com base aérea e instalações nucleares. No Líbano, Israel envia mais tropas contra o Hezbollah.

O custo humano aumenta: mais de 1.900 mortos no Irão, 18 em Israel, 13 soldados americanos e mais de 1.100 no Líbano, segundo as autoridades locais.

A questão agora não é quem vencerá a próxima batalha, mas quanta dor cada lado está disposto a suportar antes que alguém realmente ceda.

França intercepta novo navio da rede russa que foge de sanções

A França intercepta outro petroleiro ligado à rede russa que foge às sanções no Mediterrâneo.

A Marinha Francesa interceptou o petroleiro de bandeira camaronesa Deliver na costa da Sicília na terça-feira. O navio faria parte da frota de navios não registados que Moscovo utiliza para contornar as restrições internacionais às suas exportações de petróleo bruto.

“A Marinha Francesa realizou uma inspeção com embarque no petroleiro Deliver enquanto ele transitava em violação ao direito marítimo internacional”, informou o presidente Emmanuel Macron em suas redes sociais.

Inspeções aumentando

Desde Setembro, a França realizou quatro inspecções a navios suspeitos de pertencerem a esta rede. O Reino Unido fez o mesmo em Junho com o petroleiro Smyrtos no Canal da Mancha. Paris e Londres lideram uma aplicação mais rigorosa das sanções europeias, às quais a Rússia conseguiu até agora escapar com relativa facilidade.

Esta sexta-feira, representantes dos 27 Estados-membros da UE irão analisar o vigésimo primeiro pacote de sanções. Entre as medidas propostas estão a manutenção do limite máximo do preço do petróleo bruto russo, o alargamento da lista de navios proibidos de entrar nos portos europeus e a restrição das importações de produtos pesqueiros russos.

Há menos consenso sobre a proibição da entrada de veteranos russos que lutaram na Ucrânia. A Itália e a França expressaram reservas quanto à dificuldade de identificá-los sem gerar uma proibição geral aos cidadãos russos.

Ao mesmo tempo, a Ucrânia intensificou as suas operações em território russo. Kiev afirmou ter atacado duas refinarias em Ufa, a 1.500 quilómetros da frente. “Estamos a implementar o nosso plano de sanções de longo alcance”, declarou Volodymyr Zelensky antes de autorizar uma operação de 40 dias liderada pelos serviços de segurança ucranianos.

O presidente ucraniano obteve também os primeiros 3 mil milhões de euros de um empréstimo europeu de 90 mil milhões. “É claro que é a Rússia quem prolonga a guerra e ignora todas as propostas diplomáticas”, disse Zelensky em conversa com Ursula von der Leyen.

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Evacuação interrompida no Estreito de Ormuz após ataque a navio

ONU suspende plano de resgate marítimo após tiroteio em navio no Golfo Pérsico.

A Organização Marítima Internacional (IMO), uma agência da ONU, interrompeu a evacuação dos navios encalhados no Estreito de Ormuz. A decisão foi tomada depois que os militares britânicos relataram que um navio foi atingido por um projétil na costa de Omã.

O secretário-geral da IMO, Arsenio Domínguez, explicou que o plano ficará suspenso até que sejam confirmadas as garantias de segurança. O navio atacado não fez parte do esforço de evacuação.

Avisos do Irã e novas rotas

Horas antes do ataque, o Irão ameaçou proibir a passagem pelo estreito sem autorização de Teerão. A nova Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, criada pelo governo iraniano, alertou em X que o trânsito fora das rotas designadas “não será coberto pela garantia de passagem segura”.

O centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido indicou que o navio sofreu danos, mas sem vítimas ou impacto ambiental.

A abertura de uma passagem alternativa aliviaria a pressão sobre a economia global e reduziria a influência do Irão nas negociações de paz. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, garantiu durante visita ao Golfo Pérsico que Washington está comprometido com a nova rota.

“Se isso parar, teremos um problema”, disse Rubio.

O preço do petróleo caiu brevemente abaixo dos 73 dólares por barril, um sinal de que o mercado está a registar melhorias.

Negociações e tensões regionais

Os Estados Unidos e o Irã discutem os termos de um acordo de paz provisório, com prazo de 60 dias para definir detalhes como a passagem de navios e o futuro do urânio enriquecido iraniano.

Entretanto, a escalada dos combates no Líbano ameaça a trégua. O Ministério da Saúde libanês relatou cinco mortes em ataques israelenses nos últimos dois dias. O Hezbollah classificou as ações como violações do cessar-fogo, mas não respondeu.

O exército israelense confirmou a morte de um soldado reservista e outro ferido no sul do Líbano.

Trânsito marítimo em números

Apesar do incidente, mais navios atravessam o estreito, embora muito abaixo dos níveis anteriores à guerra. A empresa de navegação Maersk conseguiu remover seu navio porta-contêineres Maersk Baltimore e outro navio na quinta-feira.

De acordo com a Lloyd’s List Intelligence, 125 navios cruzaram a fronteira na semana passada, contra 33 na semana anterior. A S&P Global reportou 78 trânsitos na quarta-feira, o maior número desde o início do conflito, mas ainda longe da média diária de 130.

O Irã considera a nova rota “inaceitável e completamente perigosa”. O braço naval da Guarda Revolucionária alertou que “serão tomadas medidas contra os infratores”. Na quarta-feira, ameaçaram um petroleiro por rádio: “eles estão ao alcance dos meus mísseis”, segundo a empresa de segurança Ambrey.

Rubio reuniu-se com os ministros do Conselho de Cooperação do Golfo para garantir que os seus interesses serão protegidos. O ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid al-Zayani, disse que o acordo traz esperança, mas é “crítico que o Irã cumpra suas obrigações”.

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Terremotos na Venezuela: 188 mortos e 40 mil desaparecidos

Dois terremotos na Venezuela deixaram 188 mortos e 40 mil desaparecidos, segundo estimativas.

Saldo oficial e estimativas independentes

Dois terremotos de magnitude 7,1 e 7,5 abalaram a Venezuela na quinta-feira, deixando um número provisório de 188 mortos e 1.520 feridos, segundo Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional. Cerca de 2.000 famílias perderam suas casas. O primeiro tremor ocorreu a 20 km de profundidade; a segunda, mais forte, a apenas 10 km.

Uma iniciativa civil independente estima que o número de pessoas desaparecidas possa chegar a 40 mil. O governo não validou esse número. A zona costeira do estado de La Guaira e o oeste de Caracas foram os mais afetados.

“Tudo estava caindo sobre nós. Parecia um filme de terror. Durou cerca de dois minutos”, disse um morador à imprensa local.

Resposta internacional e solidariedade

A presidente interina, Delcy Rodríguez, declarou estado de emergência, fechou escolas e tribunais e mobilizou todo o pessoal de saúde. As comunicações e o aeroporto estão em colapso; muitas pontes foram danificadas.

A ajuda internacional chegou rapidamente: equipas de resgate dos Estados Unidos, da União Europeia, da Turquia e do México. O FMI destinou 200 milhões de euros para a reconstrução. A Itália enviará bombeiros e proteção civil.

A falta de fiscalização na construção – poucos projectos cumprem as normas anti-sísmicas, sem planeamento urbano – teria agravado os danos, segundo queixas locais. A Venezuela está localizada na falha entre as placas caribenha e sul-americana, uma área de alto risco sísmico.

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