Avanços ou mais do mesmo?
Arturo Medina Padilla, Subsecretário de Direitos Humanos, subiu ao palco na manhã de Sheinbaum. Seu tema: atualização da Estratégia de Busca de Pessoas Desaparecidas. A prioridade, disse ele. Verdade e justiça, ele prometeu. Incluindo Ayotzinapa.
Mas aqui estamos, de novo. Ouvindo as mesmas palavras em uma sala chamada Tesouro. Quantas estratégias já temos? A memória é frágil, mas os arquivos não.
História que se repete
Medina traçou dois momentos históricos: a Guerra Suja e a “guerra irresponsável contra as drogas” de Calderón. Um reconhecimento oficial do desastre, tardio, mas aí está.
Depois veio o ponto inevitável: Ayotzinapa. O subsecretário chamou-o de “doloroso” e de “lesão que requer atenção da mais alta prioridade”. Parece bom até você lembrar que aquela ferida está sangrando há quase uma década.
Ele destacou o papel dos grupos familiares. Foram eles que impulsionaram a Lei Geral contra os desaparecimentos. O Estado, como costuma acontecer, chegou depois com o papel lacrado.
Houve um momento revelador. Ele falou sobre a antiga plataforma de busca onde “qualquer um poderia alimentar informações… sem metodologia ou diretrizes claras”. Um caos digital que reflete o caos real.
Novas promessas, velhos problemas
A partir de AMLO, diz Medina, foi implementada uma Estratégia Nacional que permitiu “actualizar os registos”. Agora, com Sheinbaum, começa “uma nova etapa para garantir a verdade e a justiça”.
A pergunta óbvia: qual foi a etapa anterior? Os números continuam a ser um pesadelo nacional.
“Com o governo da presidente Claudia Sheinbaum iniciamos uma nova etapa para garantir a verdade, a justiça e a busca”, declarou Medina Padilla.
Ele mencionou as descobertas do Rancho Izaguirre em 2025 como um ponto de inflexão. Daí veio a instrução presidencial para fortalecer a Comissão Nacional de Busca e reformar as leis.
Entre os anúncios específicos estão um alerta de busca nacional, a obrigatoriedade de abertura de arquivo na primeira denúncia e uma plataforma única de identidade. Parecem medidas técnicas necessárias. Mas neste país, entre o decreto e a realidade costuma haver um abismo.
A conferência de imprensa terminou. As câmeras foram desligadas. As famílias ainda estão esperando. E nós, jornalistas, continuamos a tomar nota, comparando estas promessas com as anteriores. O tempo dirá se desta vez será diferente.




