A promessa incômoda: procurar vivo quando o tempo é o pior inimigo
Félix Arturo Medina Padilla, subsecretário de Direitos Humanos, disse isso com uma convicção que visa acalmar décadas de dor: o governo procura pessoas vivas que desapareceram há anos. Os chamados casos de longa data. Eles não são apenas arquivos arquivados.
“Existem ações de busca em campo, mas é muito importante dizer que é uma demanda histórica de busca pela vida e também uma convicção do governo mexicano”, afirmou durante a conferência matinal.
Sua afirmação é um roteiro repetido diante de famílias que transformaram a esperança em forma de resistência. A maioria destes casos, reconheceu ele, vem da era mais sombria: a chamada Guerra Suja. Coletivos que não desistem e um Segob que afirma trabalhar “permanentemente”.
Novas ferramentas para feridas antigas
O discurso oficial baseia-se agora em três pilares tecnológicos criados por uma reforma legal: o Alerta de Pesquisa Nacional, a Plataforma de Identidade Única (PUI) e a Biometria CURP.
A ideia parece um filme policial de ficção científica: cruzar dados massivos para encontrar uma trilha. Uma passagem de ônibus comprada. Uma transação administrativa. Qualquer sinal de vida no ruído digital.
“Através do qual o Cadastro Nacional da População… permite cruzar os dados das pessoas que foram dadas como desaparecidas e saber primeiro se tiveram alguma atividade administrativa”, explicou Medina Padilla.
A partir de julho do próximo ano, o mecanismo estará totalmente ativado. Dados obrigatórios, pastas de investigação que devem ser abertas de qualquer maneira e alertas que irão para terminais, aeroportos e até operadoras de telefonia. Uma rede que pretende ser intransponível para a indiferença.
E aí vem a reviravolta dramática: a reforma contempla sanções administrativas para servidores públicos que não ativem os protocolos. Não seguir o roteiro agora terá consequências.
A presidente Claudia Sheinbaum foi clara hoje:
“Agora isso não pode mais ser feito… estamos forçando o Ministério Público a abrir pastas de investigação com base na lei.”
É a tentativa de mudar um final escrito anos atrás. A questão que permanece, amarga como o café do dia seguinte, é se a tecnologia e os novos procedimentos podem realmente reverter a passagem do tempo e a burocracia. O teatro político configura um novo palco. As famílias esperam que desta vez o ato final seja diferente.




