O crítico mais contundente mostra sua hipocrisia em 280 caracteres
Ah, a vida é cheia de doces ironias e o mundo do futebol mexicano é o seu epicentro. Neste domingo, enquanto o Club América apagava as velas imaginárias de seu bolo de 109 anos, ocorreu um milagre tão inesperado quanto um pênalti a favor do rival em Azteca: David Faitelson, o flagelo perpétuo dos Águilas, o Grinch de Coapa, dedicou um tópico no Twitter tão açucarado que poderia causar diabetes coletivo.
Acontece que o time que durante anos foi o alvo preferido de seus dardos envenenados, de repente se transformou, diante de seus olhos e de seus atônitos torcedores, em uma instituição magnânima, unificadora e cimentadora do esporte nacional. O que provocou essa mudança de coração? Eles ofereceram a você uma adesão vitalícia ao estádio? Ou ele simplesmente cruzou um fio cósmico enquanto tuitava?
Um amor e ódio que circula mais do que um carrossel defensivo
Em sua mensagem, que mais parecia um discurso de aceitação de um prêmio, Faitelson elogiou a grandeza do polêmico clube, sua capacidade de viver sob pressão e aquele dom encantador de ser amado ou odiado, mas nunca ignorado. Qual é, ele descreveu a América com a mesma devoção com que um fã descreve seu ídolo. É como se o lobo do Chapeuzinho Vermelho de repente começasse a elogiar as virtudes nutricionais da vovó.
E é aí que a trama fica interessante, porque a memória da internet é maior que a de um jogo com tempo de interrupção infinito. Os usuários da rede social Lembraram-lhe, com o carinho de um pontapé nos tornozelos, as suas próprias palavras de outubro de 2022, onde ele próprio apontou o conflito de interesses dos comentadores da Televisa ao falar do América, já que o seu salário, segundo a sua brilhante dedução, vem do mesmo bolso que paga aos jogadores.
A pergunta de um milhão de dólares, que flutua no ar como uma bola perdida, é: o bolso da Televisa mudou de formato? Ou será que Faitelson considera agora que o seu salário vem de um bolso diferente, talvez mágico e imaculado, dando-lhe credibilidade recém-assada?
Para colocar mais lenha neste incêndio absurdo, não podemos esquecer a confissão recorrente de Faitelson: quando criança ele era fã da América. Isso explica tudo e nada ao mesmo tempo. É o clássico caso de amor que não poderia ser, transformado em fúria profissional que hoje, aparentemente, volta a ser amor. Uma novela mais emaranhada que as táticas de um time em declínio, onde o protagonista não sabe se quer conquistar a protagonista ou destruí-la. Talvez a sua mensagem de felicitações seja na verdade um pedido de ajuda, a confissão final de um homem preso na sua própria narrativa contraditória.
Enquanto isso, o América, esse clube poderoso e vencedor, continua seu caminho, provavelmente imperturbável pelos elogios tardios de um de seus mais famosos detratores. Depois de 109 anos, eles viram de tudo: triunfos, fracassos, heróis e vilões. Um ou mais tweets, por mais cínico ou sincero que pareça, é apenas mais uma anedota em sua vasta história. Claro, uma anedota deliciosamente hipócrita que nos lembra que no futebol, como na vida, as linhas que separam o amor do ódio, a crítica do elogio e o jornalismo da comédia são tão finas como a relva Azteca depois de um concerto.
O que nos deixa essa lição de vida embrulhada em um tópico do Twitter? Simples: no jogo bonito, a consistência é o troféu mais difícil de ganhar e, aparentemente, Faitelson decidiu não competir naquela final.
Você se divertiu com essa joia da incongruência esportiva? Compartilhe em suas redes sociais e provoque um debate tão intenso quanto um clássico nacional. E se você quiser continuar explorando o fascinante e muitas vezes hilariante mundo das contradições no futebol, não deixe de conferir nosso conteúdo relacionado.




