Novos depoimentos na investigação da rede de evasão fiscal no Ministério da Marinha indicam que um de seus chefes buscou o apoio de Rafael Ojeda Durán, Secretário da Marinha durante o mandato de seis anos de López Obrador, para autorizar um navio com combustível contrabandeado.
Após a apreensão do navio Challenge Procyon em março de 2025 em Tampico, Miguel Ángel Solano Ruiz, vulgo “Capitán Sol”, disse a um oficial militar da alfândega de Guaymas, Sonora, que falaria com Ojeda Durán para “controlar a situação” do Torn Agnes, outro navio carregado de combustível ilegal que havia chegado ao porto fronteiriço.
O novo testemunho
A testemunha, identificada com as iniciais J.C.S.P., pertence à Marinha e trabalhava com o capitão do navio Luis Alfredo García Arellano Villegas, então encarregado da alfândega de Guaymas. Segundo o comunicado, ao qual o EL PAÍS teve acesso, esta dupla administrou a entrada do navio Seaways Citron em outubro de 2023, operação que “já estava acertada em áreas centrais” e teve autorização dos irmãos Farías Laguna, sobrinhos de Ojeda Durán.
Naquela ocasião, o capitão Sol indicou como distribuir uma propina de 2,5 milhões de pesos entre funcionários alfandegários civis e militares. O comunicado detalha que eles guardavam o dinheiro no depósito de armas do local.
A defesa dos sobrinhos de Ojeda Durán – Roberto Manuel e Fernando Farías Laguna, acusados de liderar o complô – solicitou às autoridades que o ex-secretário testemunhasse. O pedido, apresentado no início de junho, não foi atendido. Os advogados argumentaram que o novo depoimento sugere que Ojeda Durán não apenas conhecia os fatos, mas “presumivelmente poderia estar relacionado”.
Outra evidência importante é a carta manuscrita que Fernando Rubén Guerrero Alcántar, um soldado envolvido, entregou a Ojeda Durán em junho de 2024. Num áudio publicado por Aristegui Noticias, ouve-se Ojeda Durán oferecer-lhe uma espécie de pacto de silêncio: “Ou descobrimos tudo isto e não me importa quem caia… ou tentamos nós próprios fechar aqui”. Guerrero Alcántar foi privado da vida cinco meses depois, em novembro de 2024, e a sua carta só chegou ao Ministério Público em julho de 2025.
O Governo tentou separar Ojeda Durán do caso, mas as datas e os factos colocam-no no centro. O Ministério Público não respondeu às questões sobre estas novas provas; O Secretário da Marinha disse que mantém a colaboração mas não é a “autoridade competente” para reportar.




