O escândalo que a Pemex não precisava (mas também não nos surpreende)
Se você pensava que a Pemex só tinha problemas com sua dívida estratosférica e sua produção em queda livre, prepare-se para mais um capítulo de “Como arruinar uma empresa estatal em passos simples”. O Departamento de Justiça dos EUA acaba de divulgar um comunicado que parece roteiro de série de narcotráfico, mas sem o glamour da Netflix: dois empresários mexicanos, Ramón Alexandro Rovirosa Martínez e Mario Alberto Ávila Lizárraga, são acusados de distribuir subornos como se fossem doces no Halloween. Claro, não qualquer suborno: estamos falando de bolsas Louis Vuitton, relógios Hublot e dinheiro (porque, claro, que melhor maneira de mostrar “apreço” do que com acessórios que valem mais do que o salário anual de um funcionário do PEP).
O modus operandi: corrupção com estilo (e um toque de audácia)
De acordo com o DOJ, entre 2019 e 2021, essa dupla dinâmica pagou cerca de US$ 150 mil em “presentes” a três funcionários da Pemex Exploration and Production (PEP) para garantir contratos milionários. O resultado? As suas empresas embolsaram 2,5 milhões de dólares, porque no mundo da corrupção, o investimento inicial tem sempre ROI. Claro, Rovirosa já está detido (e com supostas ligações a cartéis, porque o que seria um escândalo no México sem esse detalhe), enquanto Ávila continua foragido, provavelmente a perguntar-se se não deveria ter investido num passaporte falso em vez daquele Hublot.
O mais irónico é que os EUA os acusaram ao abrigo da Lei de Práticas de Corrupção no Exterior (FCPA), uma lei que a administração Trump quer usar não só contra traficantes de drogas, mas também contra políticos e funcionários que fazem o jogo deles. Em outras palavras, a mensagem é clara: “Se você vai ser corrupto, pelo menos não use cartão de crédito em Miami”.
O promotor Matthew R. Galeotti pronunciou a frase do dia: “Esta acusação envia uma mensagem clara: não toleramos aqueles que enriquecem funcionários corruptos.” O que parece bom… até você lembrar que a Pemex ainda está em silêncio, Claudia Sheinbaum tenta salvar o navio com um “fundo de contenção” (leia-se: mais dinheiro público), e os únicos que parecem ir para a cadeia são aqueles que não sabiam como esconder os recibos.
Moral: Se você vai subornar alguém, pelo menos use dinheiro. E se puder, evite ser pego pelo DOJ. Mas isso é pedir muito.
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