Condenação pelo naufrágio do ARA San Juan
Um tribunal federal condenou Claudio Villamide, ex-capitão de navio e ex-comandante da Força Submarina Argentina, a três anos de prisão suspensa. A sentença, proferida terça-feira em Santa Cruz, o considerou responsável por violação de deveres como funcionário público e danos negligentes agravados pelo desaparecimento do submarino ARA San Juan em 2017, que causou a morte de seus 44 tripulantes.
Villamide afirmou antes do veredicto:
“Sou inocente. Até hoje não entendo claramente por que me acusaram do naufrágio do submarino.”
Os juízes impuseram regras de conduta durante três anos: estabelecer endereço e telefone, notificar alterações, não cometer novos crimes e submeter-se ao controle criminal. O ex-fuzileiro naval não irá para a prisão.
Absolvido e recurso
O tribunal absolveu por unanimidade Luis Enrique López Mazzeo, Héctor Alonso e Hugo Correa, outros três oficiais acusados. Luis Tagliapietra, pai de um tripulante falecido e representante dos demandantes, anunciou que irão recorrer da sentença.
“As sentenças impostas estão longe do que havíamos solicitado”, disse ele à Associated Press. Tagliapietra havia solicitado entre sete e oito anos de prisão para os quatro marinheiros.
Cronologia da tragédia
O ARA San Juan desapareceu em 15 de novembro de 2017 no Atlântico Sul, quando voltava de Ushuaia para Mar del Plata. Naquele dia ele relatou uma falha devido à entrada de água nas baterias, mas afirmou ter resolvido. Horas depois ocorreu uma explosão.
A investigação judicial determinou que o submarino de fabricação alemã apresentava deficiências operacionais comunicadas a Villamide antes de zarpar no dia 25 de outubro. A água entrou pelo sistema de ventilação, causando curto-circuito e descida descontrolada. Após ultrapassar os 600 metros de profundidade, o casco implodiu.
Um ano depois, a empresa Ocean Infinity encontrou os restos mortais a 600 km a leste de Comodoro Rivadavia, na província de Chubut.




