Quando o futebol não é a única coisa que gera cartão vermelho
Imagine pagar uma fortuna por um camarote no Estádio Azteca (agora rebatizado de Banorte, pois que melhor maneira de homenagear a história do que vendê-lo ao melhor lance?), apenas para descobrir que o seu “lugar sagrado” poderia ser tão intangível quanto as promessas da seleção nacional. Assim vive Roberto Ruano, porta-voz dos palcohabitantes, que posa no seu trono de cimento como se fosse o último bastião da dignidade. Ou será o último reduto da teimosia? Você decide.
La Profeco: o árbitro inesperado
Faltando 408 dias para a Copa do Mundo —sim, alguém está contando os minutos como se fosse uma sentença—, os donos dos camarotes decidiram que justiça é o seu melhor atacante. Um deles já assinou pelo Profeco, apresentando uma exigência que mais parece um ultimato: “Ou respeitam o nosso contrato ou isto fica mais feio do que um autogolo nos acréscimos”. Ruano Ortega, secretário da associação, adorna-o com “é uma obrigação moral“, porque nada diz “solidariedade” como ameaçar com ação legal enquanto sorri para a foto.
O engraçado (ou trágico, dependendo do lado do cheque) é que as negociações continuam “cordiais”. Em outras palavras, eles se dão bem como aqueles vizinhos que se cumprimentam com ódio contido enquanto afiam as facas. “O diálogo não foi interrompido”, diz Ruano, que em espanhol coloquial significa: “Ninguém jogou fora o telefone, mas também não deixou cair a carteira”. Claro, esclarece que não há progresso. Tradução? Eles estão em um jogo onde a bola é uma decoração.
“40 anos de uso e diversão”: ou como herdar um problema
Aí vem o melhor: os habitantes do palco têm direitos por mais quatro décadas. Sim, você leu corretamente. Embora o mundo acabe em 2030 devido às alterações climáticas, estes senhores ainda estarão aqui, reivindicando o seu lugar intocável como se fossem faraós modernos. “Já pagamos, não há motivo para pagar a mais”, afirma Ruano. Claro, porque no México o que sobra são pessoas dispostas a respeitar contratos de 40 anos sem questionar. Ou não?
A associação já tem 2.500 membros e eles esperam que seu exército de ternos e gravatas cresça para “mostrar peso”. Ou seja, a estratégia é se sobrecarregar de números, como quando você leva toda a família à bilheteria para reclamar da pipoca gelada. É claro que ninguém fala sobre o que acontecerá se o estádio decidir que os camarotes são tão intocáveis quanto o VAR numa final.
Moral? Se você for investir em uma caixa, certifique-se de que ela inclua um advogado vitalício. E se são do estádio, talvez seja uma boa ideia começar a vender direitos emocionais… enfim, neste país tudo é negociado. Menos as caixas, aparentemente.
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