SCJN adia revisão do Imposto sobre Entregadores por Aplicativo
O Supremo Tribunal de Justiça da Nação (SCJN) decidiu adiar a análise de um recurso de proteção fundamental que desafia a implementação de um imposto de 2% aplicado à renda dos entregadores que trabalham para plataformas digitais. Esta homenagem, promovida pela bancada Morena na Cidade do México, gerou intensa polêmica jurídica e social, culminando em uma manifestação de trabalhadores em frente ao Tribunal Superior nesta quinta-feira.
Durante a sessão, o presidente da Corte, Hugo Aguilar Ortiz, solicitou formalmente à ministra relatora Lenia Batres Guadarrama o adiamento da apresentação de seu projeto de sentença. Prevê-se que este documento proponha a validação da arrecadação de impostos de motoristas e entregadores pela utilização da infraestrutura urbana. O pedido de Aguilar Ortiz baseou-se no compromisso da nova integração da Corte de promover o diálogo com todas as partes envolvidas antes de emitir uma resolução final.
“Quero perguntar à Ministra Lenia Batres Guadarrama, que é relatora de todos estes assuntos, se nos permite incluí-lo na lista ou adiá-lo para ouvir as partes, que este novo Tribunal se ofereceu para dialogar e ouvir todos os interessados antes de tomar uma decisão”, declarou o juiz presidente. O Ministro Batres Guadarrama concordou com o pedido, pelo que o debate e a potencial resolução sobre esta questão espinhosa permaneceram suspensos.
Antecedentes jurídicos e um projeto cancelado
O caminho deste litígio tem sido complexo. Antes de sua extinção como câmara, a extinta Segunda Câmara da Corte havia rejeitado um projeto de sentença elaborado pelo então ministro Alberto Pérez Dayán. A referida minuta, hoje sem efeito, propunha a confirmação da proteção apresentada pela empresa Uber Portier México, que teria anulado a cobrança do imposto. Com o desaparecimento daquela sala e a invalidação daquele projecto, a polémica foi transferida para o Ministro Batres Guadarrama, que preparou um novo parecer que, segundo as indicações, tende a confirmar a legalidade da cobrança aos entregadores.
Esta mudança na posição judicial potencial reflete a natureza mutável da interpretação jurídica em relação à tributação digital e à regulação da economia colaborativa. A situação deixa milhares de trabalhadores de plataformas como Uber, Didi e Rappi em estado de incerteza jurídica e financeira, aguardando uma decisão que impactará diretamente seus rendimentos.
A voz dos afetados: protesto e descontentamento
Paralelamente aos processos judiciais, ocorreu uma concentração de entregadores por aplicativo fora da sede da SCJN. Os manifestantes expressaram a sua forte rejeição ao imposto, argumentando que representa um encargo injusto sobre os seus lucros, especialmente tendo em conta as condições precárias da infra-estrutura rodoviária que devem utilizar diariamente.
A posição dos trabalhadores foi capturada nas palavras de Manuel Gaytán, um motorista de entregas que durante o protesto declarou: “Se eles aprovarem esses 2% para uma infraestrutura que é ruim, uma infraestrutura que está nos matando com seus esgotos abertos, com seus buracos, eles vão nos atingir com mais força. Se eles aprovarem esse imposto, eles vão tirar 15% do nosso suor.” Esta declaração destaca a queixa principal: a percepção de que eles são obrigados a pagar por isso. a utilização de infra-estruturas públicas em mau estado, o que acrescenta riscos adicionais ao seu já exigente trabalho.
A análise deste caso transcende o mero debate tributário. Situa-se na intersecção entre a regulação estatal, os novos modelos de negócios digitais e os direitos laborais e económicos dos trabalhadores independentes. A decisão final do Tribunal estabelecerá um precedente crucial sobre a forma como o sistema jurídico mexicano aborda a tributação na chamada economia gig ou plataformas. Uma decisão a favor do imposto poderia abrir a porta a impostos semelhantes noutros estados, enquanto uma resolução contra o mesmo reforçaria a protecção do rendimento deste sector crescente da população economicamente activa. A posição do Ministro Batres, e eventualmente da maioria do Tribunal, será um termómetro da visão institucional sobre justiça distributiva na era digital.
O atraso na resolução, embora gere incerteza, também pode ser interpretado como uma oportunidade para uma análise mais profunda e um diálogo construtivo que considere todos os aspectos deste complexo fenómeno socioeconómico. O mundo observa enquanto o México resolve este dilema entre a necessidade de financiamento público e a proteção dos atores mais vulneráveis na cadeia de valor digital.
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