Tensão pós-eleitoral na Colômbia
O conservador Abelardo de la Espriella declarou-se vencedor do segundo turno presidencial na Colômbia. Com 99,98% das mesas apuradas, obteve 49,66% dos votos, ante 48,70% do senador Iván Cepeda. A diferença ultrapassa os 250 mil votos.
“O povo colombiano confiou-me a honra suprema de servir como seu próximo presidente”, disse De la Espriella diante de milhares de apoiadores em Barranquilla. Ele prometeu proteger as liberdades e os direitos de todos, mesmo daqueles que não votaram nele.
Cepeda pediu para aguardar o escrutínio final. “A pré-contagem não é oficial nem vinculativa”, disse, antecipando que o seu partido irá disputar 33 mil mesas em todo o país. O presidente cessante Gustavo Petro escreveu em X: “Ninguém pode ser proclamado presidente. É o escrutínio que determina quem é o presidente”.
De la Espriella respondeu: “Ao senhor Petro e seu herdeiro digo: respeitem a vontade do povo da Colômbia. Evitem desencadear um incêndio social… façam as malas e preparem-se para exercer a oposição.”
O candidato de 47 anos, apelidado de “El Tigre”, é advogado e empresário que fez fortuna com vinho, rum e roupas. Sem experiência política, promete assumir uma postura dura contra os grupos armados e construir megaprisões ao estilo de El Salvador. Nasceu em Bogotá, mas cresceu na costa caribenha; Ele morou na Itália até antes da campanha.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, felicitou-o como “presidente eleito” e disse que espera trabalhar na segurança regional e reduzir a migração irregular.
O dia das eleições decorreu com uma elevada participação de mais de 41 milhões de eleitores elegíveis. A violência continua a ser a principal preocupação: no ano passado foram registados 14.780 homicídios, o número mais elevado desde 2015, e a extorsão duplicou numa década.
A vendedora Yolanda Hernández, que votou no Petro em 2022, optou agora por De la Espriella: “Queremos que haja uma mudança na Colômbia porque é sempre a mesma violência, sempre tudo igual”.
Os juízes eleitorais farão a contagem final nos próximos dias. O país aguarda o resultado oficial em meio a um ambiente polarizado.