Ataque ao centro de tratamento em Ituri
Várias pessoas incendiaram um centro de tratamento do Ébola em Rwampara, no leste da República Democrática do Congo. A razão: não lhes foi permitido recuperar o corpo de um homem local. Isso foi confirmado por uma testemunha e um policial.
O incêndio reflete os desafios dos profissionais de saúde face a um vírus que exige medidas rigorosas, contrárias aos ritos fúnebres locais. Os corpos das pessoas mortas pelo Ébola são altamente contagiosos e podem espalhar a doença se forem manuseados sem protocolos.
“A polícia tentou acalmar a situação, mas não teve sucesso”, disse Alexis Burata, um estudante presente no local. Os jovens locais incendiaram o centro e os trabalhadores humanitários fugiram em veículos.
Jean Claude Mukendi, chefe de segurança pública de Ituri, disse que os jovens “não compreenderam os protocolos” para enterrar uma suposta vítima. As autoridades exigem que todos os corpos sejam enterrados de acordo com os regulamentos do surto.
Horas depois, Hama Amadou, coordenador da ALIMA, confirmou que a calma foi restaurada e as equipes continuaram o trabalho.
Expansão do surto e medo regional
O surto deixou 160 mortos e 671 casos suspeitos em duas províncias do Congo, segundo dados de quinta-feira. A OMS declarou-a uma emergência internacional. Uganda relatou dois casos, um deles uma perda. A propagação é maior do que a reportada, alertou o diretor da OMS.
O risco global é baixo, mas elevado a nível regional, especialmente em Ituri, que faz fronteira com o Uganda e o Sudão do Sul. Mais de 920 mil pessoas estão deslocadas internamente naquela província.
O vírus Bundibugyo, responsável pelo surto, não tem vacina ou medicamento disponível. Um especialista estimou que levará de seis a nove meses para ter um.
“A prioridade agora é agir rapidamente e trabalhar com as comunidades”, disse Ariel Kestens, chefe da Cruz Vermelha no Congo.
O conflito armado complica a resposta. Os líderes locais relataram que um ataque de homens armados ligados ao Estado Islâmico deixou 17 mortos na terça-feira em Alima.
O Ébola espalha-se através do contacto com fluidos corporais. Sintomas: febre, vômito, diarreia, dores musculares e hemorragia interna.
O surto espalhou-se para uma nova província: Kivu do Sul, a cerca de 500 quilómetros do epicentro. As autoridades ainda não identificaram o paciente zero. A OMS acredita que tudo começou “há alguns meses”, disse Anaïs Legand, especialista da OMS.
O impacto internacional veio: a Índia e a União Africana adiaram a Cimeira Índia-África devido à situação sanitária. A selecção de futebol do Congo cancelou o seu campo de preparação. Os Estados Unidos impuseram restrições aos viajantes do Congo, Uganda e Sudão do Sul.




