A tragédia por trás dos ‘soros milagrosos’
Oito famílias em Sonora estão de luto. Oito vidas interrompidas pelo que foi vendido como um simples tratamento de bem-estar: soros vitaminados aplicados por via intravenosa. A Procuradoria Geral do Estado já tem nome: Jesús Maximiano “N”, investigado por homicídio culposo por negligência médica. E há uma operação ativa para capturá-lo.
Enquanto isso, o cenário é sombrio. Para esclarecer exatamente como estas pessoas morreram, as autoridades não só realizaram cinco buscas, como também conseguiram exumações. Sim, tiveram que desenterrar corpos para realizar autópsias e descobrir a verdade que foi negada às vítimas.
“O Ministério Público tem promovido medidas cautelares como parte de uma estratégia abrangente que busca não apenas punir os responsáveis, mas também proteger os direitos das vítimas e de seus familiares”, informou o FGJE.
O alarme de saúde já está ligado. A Cofepris, em conjunto com autoridades estaduais, fiscalizou 24 estabelecimentos que ofereciam esses tratamentos. O resultado: seis empresas fecharam preventivamente. Nem todos estão diretamente ligados ao caso fatal, mas a mensagem é clara: acabou a impunidade neste negócio lucrativo e perigoso.
Um drama com muitas camadas
Este caso vai além da captura de um indivíduo. É o reflexo de um sistema onde as terapias alternativas são promovidas como inofensivas, mas aplicadas sem os critérios médicos mais básicos. Eles brincam com a saúde e a esperança das pessoas.
Enquanto a investigação avança, a Comissão Executiva Estadual dá apoio aos familiares. Aconselhamento jurídico, apoio institucional… são remendos para uma dor imensa. O Ministério Público promete reportar todos os progressos, mas para essas oito famílias a justiça nunca chegará a tempo.
O que resta é uma questão incómoda: quantos “Jesus Maximianos” ainda operam nas sombras, vendendo soluções intravenosas que podem tornar-se sentenças de morte? Em Sonora começaram a contar os corpos. O teatro do horror levantou a cortina.




