Da prisão, um almirante acusado afirma inocência
O cenário é como um filme. O vice-almirante da Marinha, Manuel Roberto Farías Laguna, escreve à mão uma carta do presídio de segurança máxima do Altiplano. Seu destinatário: Presidente Claudia Sheinbaum. Sua mensagem: uma defesa apaixonada e uma acusação séria.
“Até o momento não me foi fornecido nada do que solicitei, sendo isso de vital importância para a realização de uma defesa adequada”,
escreve o antigo alto comando, detido desde setembro pela sua alegada participação numa rede ilegal de tráfico de combustíveis. Ele não pede misericórdia. Ele pede um julgamento justo, o que, segundo ele, não está conseguindo.
A trama por trás da acusação
A história começou com um navio, o Challenge Procyan, que chegou a Tampico. No papel, vinha com aditivos de óleo. Na verdade, transportava diesel. A descoberta desencadeou uma investigação que culminou com operações em Altamira e a apreensão de 10 milhões de litros de combustível, contêineres e veículos.
Farías Laguna e seus supostos cúmplices caíram. A Marinha o dispensou instantaneamente, retirando-lhe todos os seus direitos como membro da instituição. Uma medida que descreve na sua carta como “ilegal” e que, garante, apenas visa apresentá-lo como culpado antes do julgamento.
Sua defesa vai além. Ele denuncia um processo “politizado e falho”, baseado em evidências “inconsistentes” e ainda fala sobre um vídeo do YouTube que supostamente não existe. Enquanto isso, seu irmão Fernando, também ligado ao caso, está foragido.
O argumento jurídico é outra frente. Sua equipe jurídica defende que ele e o irmão deveriam ser julgados pela justiça militar, já que ainda recebiam salários da Marinha. É um detalhe técnico com enormes implicações.
E no meio deste drama judicial, o Presidente Sheinbaum permanece em silêncio. Questionada por esta médium sobre a carta enviada das profundezas do CEFERESO, ela indicou que ainda não revisou a carta e se absteve de comentar.
Enquanto isso, no Altiplano, um ex-vice-almirante espera. Ele espera uma resposta do poder máximo do país, espera ter acesso à sua pasta de investigação e espera convencer a todos de que é um homem inocente preso numa rede onde a política e a justiça se misturam perigosamente.




