Veracruz aperta os parafusos contra agressores sexuais
O plenário do Congresso local deu luz verde, com 43 votos a favor e zero contra, a um pacote de reformas que visa tornar mais dura a punição para crimes contra a liberdade e segurança sexual. A unanimidade é impressionante. Será que finalmente existe um consenso de que isto é urgente, ou simplesmente ninguém se atreve a votar contra?
O que muda (realmente)
A medida chave é a redefinição do crime de abuso sexual. Não se trata mais apenas de tocar. Agora, a lei diz claramente que o crime é cometido por “quem, sem o consentimento da vítima… realiza qualquer ato de natureza sexual, obriga-a a observá-lo, ou faz com que ela o pratique.” Essa parte de “fazer você assistir” é nova e crucial. Fecha um enorme portão legal.
As penas aumentam: de quatro para oito anos de prisão, mais multa. E aí vem o interessante: será feito ex officio. Isso significa que não depende apenas da denúncia da vítima; O ministério público pode agir por conta própria. Uma mudança importante na lógica.
O sujeito ativo deverá cobrir as despesas relativas ao atendimento psicológico da vítima, até sua completa recuperação.
Isso está no texto. O agressor pagará pela terapia. Parece bom no papel. A questão de um milhão de dólares será como será executada e quem definirá essa “recuperação total”.
Por assédio sexual, a pena varia de um ano e oito meses a quatro anos, com multas que podem ser altíssimas (até 500 UMAs por dia). Mas o mais convincente está no final: Veracruz exclui a possibilidade de estes agressores acederem a saídas alternativas ou benefícios pré-libertação. Sem atalhos. Sem negociações.
Junta-se assim a outros estados que optaram por esta linha dura. Funcionará como um impedimento? A teoria diz que sentenças elevadas por si só não reduzem o crime. Mas negar qualquer saída fácil envia uma mensagem política clara: aqui estes crimes já não são “negociáveis”.
Resta saber se os juízes aplicarão o novo enquadramento com o rigor esperado ou se encontrarão novas lacunas. A lei avança. Justiça… veremos.




