Ex-presidente boliviano entra na prisão por caso histórico de corrupção

Um juiz decreta cinco meses de prisão para o ex-presidente, acusado de desviar verbas públicas destinadas a comunidades vulneráveis, num caso que abala os alicerces do poder.

Uma decisão judicial que abala a nação

Em uma reviravolta que chocou uma nação inteira, o sistema de justiça boliviano emitiu um veredicto férreo nesta sexta-feira: cinco meses de prisão preventiva para o ex-presidente Luis Arce Catacora. A ordem, emitida pelo juiz Elmer Laura após uma tensa audiência virtual, não apenas prende o ex-governante de 62 anos na prisão de San Pedro, em La Paz, mas também acende o estopim de uma crise política de proporções épicas. Arce, figura-chave do Movimento ao Socialismo (MAS), terá que se defender da prisão contra os crimes de incumprimento de deveres e conduta antieconómica, acusações que podem levar a até seis anos de prisão.

O drama se desenrolou na escuridão da noite, quando o ex-presidente socialista foi transferido para uma das maiores prisões do país andino. Seu destino, porém, começou a ser escrito há anos, nas sombras do poder. A Procuradoria afirma firmemente que, durante seu mandato como Ministro da Economia no governo de Evo Morales em 2015, Arce autorizou o desvio de recursos do Fundo Indígena. Este património, sagrado e criado para financiar o desenvolvimento das comunidades nativas mais pobres, teria acabado, segundo a acusação, irrigando contas bancárias privadas num escândalo monumental de peculato.

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A defesa e a sombra da doença

Da fria intimidade de uma delegacia, onde já estava detido desde quarta-feira, o ex-presidente lançou um grito de inocência carregado de drama. Denunciou que a sua prisão foi “irregular e ilegal”, realizada por agentes com balaclavas “como nos governos fascistas”. Com a voz de quem se sente encurralado pela história, declarou-se um “bode expiatório” da perseguição política, negando qualquer ligação pessoal com a gestão do fundo e argumentando ter delegado essas responsabilidades.

Sua defesa apresentou um argumento que acrescenta um tom de tragédia pessoal à história: a batalha de Arce contra o câncer renal que ele superou em 2017. Eles alegaram que sua vida está em perigo atrás das grades. A juíza Laura, implacável na sua decisão de encarcerar mas reconhecendo esta vulnerabilidade, ordenou que ele recebesse “os cuidados médicos de que necessita” e que o Estado garantisse a sua segurança, um mandato que ressoa como um eco de cautela no meio da tempestade judicial.

Os saques que sangraram os cofres públicos

A investigação sobre este desfalque milionário, que eclodiu em 2017, mas permaneceu estagnada durante anos, foi retomada à força pelo governo do presidente de centro-direita Rodrigo Paz. O novo presidente não hesitou em descrever os quase vinte anos de governo de Morales e Arce como uma era de “saque” dos recursos do Estado. Embora o valor exato dos danos económicos ainda esteja sob investigação, o Ministro do Governo, Marco Antonio Oviedo, indicou que o mero caso de Arce envolveria um desvio de mais de 51 milhões de dólares.

O destino deste oceano de dinheiro público? Segundo revelações do ex-senador Óscar Ortiz, que investigou as primeiras denúncias, os recursos teriam sido utilizados para “comprar lealdades” durante as campanhas eleitorais, direcionando recursos para lideranças sindicais e indígenas ligadas ao partido no poder na época. Este plano financeiro teria servido para cimentar o apoio social que sustentou o regime do MAS durante quase duas décadas. A sombra da investigação já é tão longa que o Ministério Público não descarta a convocação do próprio Evo Morales, possibilidade que colocou em alerta máximo suas bases na região do Chapare, onde o ex-presidente enfrenta, por sua vez, um mandado de prisão para um caso diferente.

A prisão de Luis Arce não é um acontecimento isolado; É um terramoto político cujas réplicas abalam um país que já se debate com uma grave escassez de combustível e com a pior crise económica em quatro décadas. O governo Paz navega agora entre a pressão popular pelos subsídios energéticos e a demonstração de firmeza contra a corrupção estrutural, num pulso onde o passado e o presente colidem com uma força devastadora. O destino de um homem e o futuro de uma nação parecem, neste momento, irrevogavelmente interligados.

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Porto Rico: chefes de gabinete demitem-se devido a alegações de irregularidades

A governadora anuncia saídas de sua equipe após acusações de interferência em contratos.

A crise política em Porto Rico

A governadora Jenniffer González anunciou que seu chefe de gabinete, Francisco Domenech, e seu vice-chefe, Itza García, deixarão seus cargos em agosto. Ambos são investigados por uma agência estatal independente após denúncias de irregularidades no Gabinete de Gestão de Licenças.

Domenech também atua como diretor executivo da Autoridade Consultiva Financeira e da Agência Tributária. As acusações surgiram quando o antigo chefe do desenvolvimento económico, Sebastián Negrón, se demitiu em Maio e alegou interferência do governo na agência. Mais de dez funcionários também renunciaram.

Negron acusou Domenech de irregularidades contratuais e interferência indevida, o que ele negou. García foi apontado por pressionar Negrón a nomear a esposa do presidente da Politank – uma empresa de lobby fundada por Domenech – para o escritório de licenciamento.

“Volto à minha vida privada com a tranquilidade de ter servido com integridade”, disse Domenech.

García disse que cresceu profissionalmente no cargo e que a sua etapa termina, mas não o seu compromisso com a ilha. A governadora agradeceu-lhe o trabalho e a lealdade, afirmando que não permitiria que a sua administração fosse “silenciada” por “agendas e ataques”.

Domenech apresentou declarações juramentadas contra Negron alegando corrupção, o que Negron negou. Na sexta-feira, Domenech disse que o Gabinete do Painel Especial Independente do Procurador o está investigando após alegações que ele chamou de “cheias de mentiras”.

Legisladores federais questionaram o uso de fundos federais. Juan Dalmau, do Partido da Independência de Porto Rico, criticou a saída: “É uma cal descartada. Permitir que funcionários notáveis ​​saiam quase com honras de Estado é uma zombaria.”

Domenech deixará o cargo em 7 de agosto e García em 15 de agosto. Nenhum substituto foi anunciado ainda.

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Trump autoriza voos diretos para o Líbano depois de décadas

O presidente dos EUA permitirá voos comerciais para o Líbano e reunir-se-á com o presidente libanês para promover a paz.

Voos diretos e diálogo diplomático

O presidente Donald Trump anunciou que a sua administração permitirá a retomada dos voos diretos entre os Estados Unidos e o Líbano, suspensos desde 1985 após o sequestro do voo 847 da TWA. A medida ficou conhecida após seu encontro na Casa Branca com o presidente libanês, Joseph Aoun.

“Ordeno à minha administração que permita que todas as companhias aéreas dos EUA voem diretamente para o Líbano para que os americanos possam visitar facilmente esta bela terra”, escreveu Trump nas redes sociais.

Durante a reunião, Trump prometeu “ajudar muito” o Líbano. Aoun é o primeiro líder libanês a visitar Washington desde 2009. A visita ocorre num contexto de tensão regional, após meses de conflito entre Israel e o grupo armado Hezbollah, apoiado pelo Irão.

Avanços rumo a um acordo-quadro

O Líbano e Israel assinaram em 26 de junho um acordo-quadro que prevê a retirada das forças israelitas do sul do país e o desarmamento do Hezbollah. A implementação começou em áreas piloto como Zawtar al-Gharbieh, onde o exército libanês já começou a ser destacado. No entanto, as divergências permanecem: as forças israelitas dispararam tiros de advertência durante a operação, embora ambos os lados divirjam quanto à localização do incidente.

O secretário de Estado Marco Rubio apoiou o acordo: “Como substituir o Hezbollah? Você os derrota e os substitui por um governo forte o suficiente para ser a única força armada no país”. Ele alertou que o Líbano não estará em paz até que a questão do grupo armado seja resolvida.

Trump mencionou que falaria pessoalmente com o Hezbollah se Aoun lhe pedisse, e até levantou a possibilidade de a Síria intervir contra a organização. Ambas as opções são impopulares no Líbano.

Cuidado no terreno

Abed Ezzeldine, prefeito de Zawtar al-Gharbieh, pareceu cauteloso: os residentes deslocados poderão verificar suas casas, mas não poderão ficar por causa da infraestrutura destruída. “As casas foram demolidas. Eles (os israelenses) destruíram as ruas”, declarou.

Israel planeia manter uma presença militar prolongada numa “zona de segurança” no sul. Entretanto, o governo libanês, que emergiu de uma campanha reformista em 2025, insiste que a retirada israelita e o apoio financeiro internacional são essenciais para uma solução sustentável. O recente conflito deixou mais de 4.000 mortos e 1,2 milhões de deslocados no Líbano.

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Zelenskyy demite Syrskyi em meio a protestos na Ucrânia

A mudança no alto comando responde à pressão dos cidadãos e às críticas internas.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, demitiu o general Oleksandr Syrskyi do cargo de comandante-chefe das forças armadas, após vários dias de protestos em Kiev e outras cidades exigindo a sua destituição. Em seu lugar, nomeou Mijailo Drapatyi, segundo comunicado oficial.

“Nosso desejo comum é um só: a vitória sobre o inimigo”, declarou Zelenskyy.

Pressão cidadã e mudanças internas

Foi a segunda grande reviravolta de Zelenskyy sob pressão da opinião pública. Os protestos também exigiram a reintegração do antigo ministro da Defesa, Mikhailo Fedorov, visto como um impulsionador da modernização militar. Syrskyi foi criticado por representar uma cultura de comando de estilo soviético.

Zelenskyy agradeceu a Syrskyi pela defesa de Kiev e pelas operações em Kharkiv e Kursk. Ele então apresentou Drapatyi como o novo chefe.

Drapatyi escreveu no Facebook:

“Servir a Ucrânia sempre foi uma honra para mim… Trabalharei com responsabilidade, com foco e com respeito pelas pessoas que hoje defendem o nosso Estado.”

Fedorov parabenizou Drapatyi e chamou a nomeação de “uma nova esperança na luta dos povos livres pela liberdade e justiça”. Zelenskyy ofereceu a Fedorov uma posição para unificar o setor tecnológico, mas não foi confirmado se ele aceitou.

Fedorov criticou publicamente Syrskyi, dizendo que ele estava bloqueando suas reformas e que deveria ser substituído. Após o impeachment, ele ligou para Syrskyi para agradecer suas contribuições, mas destacou que o país precisa avançar mais rápido e corrigir os erros.

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