A cortina sobe
Claudia Sheinbaum não cortou apenas a fita do Trem Felipe Ángeles. Ele montou um cenário onde a Quarta Transformação se veste de herói popular. Da estação Terminal AIFA-Clara Krause, a presidente soltou sua frase mais cantada: “Missão cumprida”. Mas é mesmo?
“Governamos para o povo. Missão cumprida, povo do México.”
Parece épico, eu sei. Mas por trás do discurso há números que contam outra história. 41 quilômetros de pista, 57 mil passageiros diários estimados e tarifa promocional de 45 pesos de qualquer estação até o aeroporto. Parece bom, mas o verdadeiro desafio será mantê-lo acessível quando o mês de carência terminar.
A distribuição de funções
Andrés Lajous, o cérebro da mobilidade, detalhou os dados frios: seis novas estações, ligação com Metro, Metrobús e até Ecobici. Mas o interessante aqui é quem ganha com isso. Comunidades esquecidas como Tultitlán ou Nextlalpan finalmente têm passagem de primeira classe. A governadora Delfina Gómez agradeceu-lhe quase em lágrimas: “permitirá que muitas cidades esquecidas tenham acesso a transportes públicos decentes”.
Clara Brugada, da CDMX, comemorou a consolidação de Buenavista como a estação ferroviária da capital. E Julio Menchaca, de Hidalgo, colocou em sua cunha: “O Segundo Andar da Quarta Transformação viaja de trem”. Todo mundo quer entrar no mesmo movimento.
A armadilha da fala
Sheinbaum insiste que isso faz parte do resgate dos trens de passageiros. Mas não nos deixemos levar pelas luzes. A obra gerou mais de 20 mil empregos durante a construção – segundo Iván Hernández Uribe – mas agora vem o difícil: operar com eficiência e transparência. Os militares garantem isso, afirma o engenheiro militar. Espero que seja verdade.
A frequência inicial é a cada 30 minutos; Eles prometem reduzi-lo para 12 quando os outros seis trens chegarem. Enquanto isso, os usuários terão que ser pacientes se quiserem chegar à AIFA em menos de uma hora.
O que vem a seguir?
Este comboio não é apenas um meio de transporte – é um símbolo político num ano eleitoral. Sheinbaum aposta que as pessoas se lembram da viagem confortável e barata antes das promessas quebradas do passado. Mas, como diz minha esposa – que leciona no ensino médio – “às vezes o simples é o certo”. Se funcionar e mantiver preços justos, talvez desta vez a missão seja cumprida.
Por enquanto, a cortina cai com um “Viva o México!” que ressoou entre os participantes. Veremos se o eco chega às urnas.




