Uma fossa séptica, duas vidas interrompidas
A notícia atinge você no estômago. Duas meninas haitianas, em busca de refúgio no México, perderam a vida esta terça-feira dentro de um centro de assistência social em Oaxaca. O cenário é tão absurdo quanto desolador: eles caíram em uma fossa séptica.
O Instituto da Mulher Migrante (Imumi) não chama isso de acidente. Ele o nomeia com a crueza que merece:
“O fato de terem caído em uma cisterna sem restrição de acesso e sem vigilância adequada… não é um acidente: é uma negligência institucional e uma omissão de cuidado.”
Este não é um caso isolado. É o script repetido de um sistema que falha nos mais vulneráveis. Imumi relembra outro capítulo trágico: em 2019, uma menina guatemalteca morreu devido a negligência médica sob custódia da imigração. Sua mãe ainda espera por justiça.
Um sistema que promete proteção e entrega abandono
Aqui está o cerne do drama. Estes centros, muitas vezes chamados de “abrigos”, tornam-se armadilhas mortais para aqueles que fogem da violência ou da pobreza. Imumi aponta o dedo para uma realidade incômoda:
“Ser mulher, ser menina, ser descendente de africanos e ser migrante no México muitas vezes significa ser relegada a espaços precários e inseguros.”
É a combinação perfeita de discriminação e indiferença estatal. A organização exige uma investigação exaustiva e transparente da Procuradoria de Oaxaca. Mas também exige algo mais profundo: uma revisão urgente de todos os centros de assistência social do país.
A demanda é clara: atendimento psicossocial e jurídico à mãe, atendimento em crioulo haitiano e, sobretudo, garantias de que isso não se repetirá.
Enquanto as autoridades definem responsabilidades e duas pessoas são colocadas à disposição do deputado, uma questão permanece flutuando no ar, amarga como café frio: de quantas tragédias ‘evitáveis’ precisamos para que o Estado cumpra a sua obrigação mais básica? Proteja a vida.




