A versão oficial após o desânimo
Claudia Sheinbaum saiu para contar como foi seu domingo. Segundo ela, ligaram para ela de madrugada. Foi o chefe da Defesa Nacional que o informou sobre a operação que terminou com Nemesio Oseguera Cervantes, vulgo ‘El Mencho’.
“Muito cedo o secretário-geral me ligou, me informou o que estava acontecendo e eu entrei em contato com a Secretaria de Segurança”, declarou.
Imediatamente, diz ele, ordenou a instalação de um posto de comando. Para coordenar a resposta institucional, claro. Porque quando você derruba o suposto líder do CJNG, tudo deve parecer sob controle.
A coreografia do poder
A narrativa é impecável: comunicação permanente entre Defesa, Segurança, Interior, Marinha e governos estaduais. Todos em sintonia. Todos informados.
Mas aí vem a parte interessante. Enquanto as balas voavam em Jalisco, espalharam-se nas redes sociais rumores de que o aeroporto de Guadalajara havia sido tomado. Sheinbaum teve que esclarecer esse ponto pessoalmente.
“Assim como o aeroporto de Guadalajara, que disseram ter sido tomado, imediatamente disseram que era falso”, afirmou com aquela calma que tanto nos intriga.
O curioso é o que não é dito. Você fortaleceria sua segurança após esse episódio? A pergunta ficou no ar. Sua resposta foi tão clara quanto a neblina matinal: “com os elementos de segurança”.
É assim que funciona o roteiro pós-operatório: mostra-se coordenação, desmentem-se boatos e evitam-se perguntas incômodas. O circo deve continuar, embora por trás da cortina ninguém saiba realmente quem comanda o espetáculo.




