O duplo compromisso: AHMSA e a sombra da Pasta de Conchos
A manhã desta quarta-feira no Palácio Nacional teve um tom que misturava promessa com reprovação histórica. Claudia Sheinbaum não só falou sobre o futuro, mas também tirou a poeira de um fantasma do passado.
A sua mensagem central era clara para os antigos trabalhadores dos Altos Hornos do México: haverá justiça social. A falência da siderúrgica não será o fim da sua história.
“Veremos uma liquidação adequada e os empregos também devem ser garantidos”, disse o presidente. “Sempre colocando os trabalhadores acima.”
Mas o discurso tomou um rumo dramático. Sheinbaum conectou o presente com uma ferida aberta desde 2006: Conchos Pasta. A descoberta de um mineiro vivo em Sinaloa após 13 dias serviu como um contraste brutal.
“Vejam como foi irresponsável parar de procurar os mineiros”, declarou, mirando diretamente no ex-presidente Vicente Fox e na mineradora da época. Para ela, essa decisão faz “a diferença” no desempenho atual.
O teatro político tem seus flashbacks. A crítica não é nova – em fevereiro, durante um comício em Monclova, Coahuila, já havia exigido justiça e reativação para a AHMSA – mas hoje adquiriu uma dimensão emocional diferente. Não se trata apenas de leis ou mecanismos judiciais.
É sobre memória. Comparar o que foi feito – ou não feito – diante de tragédias semelhantes. Sheinbaum está tecendo uma narrativa onde seu governo representa o rompimento com uma forma específica de abandono de quem trabalha.
Enquanto o caso AHMSA segue seu curso no Judiciário, o presidente afirma buscar “os melhores mecanismos” para garantir os direitos trabalhistas. Mas nas entrelinhas, sua mensagem é mais ampla: a história não se repete aqui.
O compromisso com os ex-metalúrgicos traz um alerta para o passado. Uma forma de dizer que as omissões, como a Pasta de Conchos, ficaram para trás.




