O trem 4T: obras, promessas e muito cimento
Se você pensava que o governo de Claudia Sheinbaum iria esperar que o mercado decidisse por conta própria, chegou atrasado. Sete meses de governo, a presidente já tem mais projetos ferroviários do que um fã de Thomas e Amigos. Entre discursos em “Las mañaneras del pueblo” e selfies com engenheiros militares, o investimento público avança a todo vapor… ou pelo menos é o que dizem os PowerPoints oficiais.
Trens para todos (ou quase)
A lista de obras parece uma carta de Papai Noel pós-café: o AIFA-Pachuca (57 km de via dupla), o Cidade do México-Querétaro (226 km), o Trem de Carga Maia (que não é o mesmo que o turístico, veja bem) e o recentemente licitado Querétaro-Irapuato e Saltillo-Nuevo Laredo. Segundo Sheinbaum, não se trata apenas de cimento e trilhos, mas “da visão da Quarta Transformação”: “Trabalhamos todos os dias, não esperamos para ver o que o mercado faz.” Parece bom, embora alguns ainda se lembrem dos tempos em que prometeram acabar com a corrupção em seis meses. Coisas que acontecem.
Enquanto isso, o comandante Gustavo Ricardo Vallejo Suárez —também conhecido como o engenheiro militar mais ocupado do México— detalha o progresso com a precisão de um influenciador, relatando suas conquistas no LinkedIn: 10.300 trabalhadores removendo travessas, 76% de prospecção arqueológica (porque até os trens precisam de permissão do INAH) e colaborações com Pemex, CFE e Cenagas. “É como um Lego gigante, mas com mais burocracia” poderia ser o resumo.
Propostas e números que impressionam (no papel)
Andrés Lajous Loaeza, da ARTF, anuncia as licitações como se fossem lançamentos de tênis: 4 milhões de viagens anuais em Querétaro-Irapuato, 5,5 milhões em Saltillo-Nuevo Laredo, com estações em Monterrey, García e até Anáhuac. As decisões serão proferidas em julho, só para que ninguém se lembre delas em dezembro. É claro que os terminais do trem de carga maia – Palenque, Progreso, Cancún – já estão em construção, porque o que seria um mandato de seis anos sem fotos de coletes laranja ao lado dos trilhos?
Enquanto isso, Sheinbaum repete como mantra que “eles não pararam de trabalhar”, enquanto lista hospitais, estradas e usinas de energia do IMSS. O curioso: quase tudo herdado da gestão anterior. Mas ei, continuidade é um valor… quando convém.
O veredicto? O México poderia se tornar uma potência ferroviária… ou um país com mais propostas do que trens funcionais. Por enquanto, a hashtag #ModoConstrucciónActivado permanece válida.
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