O roteiro da reforma eleitoral tem uma cena chave pendente
A presidente Claudia Sheinbaum pediu esta quarta-feira que ninguém se antecipe aos factos. A estreia da sua iniciativa de reforma constitucional em matéria eleitoral está marcada para a próxima semana e ela quer que o debate comece aí.
“Vamos esperar o dia de enviar a reforma, já conversamos sobre tudo aí, não vamos nos precipitar”, disse ele do Palácio Nacional.
Seu pedido de calma ocorre no momento em que um dos principais jogadores de seu time reconhece um problema sério. Ricardo Monreal, coordenador do Morena em San Lázaro, admitiu que não há acordos com o Partido Trabalhista (PT) nem com o Partido Verde.
Sem esses votos, a maioria qualificada necessária para alterar a Constituição desaparece. É como preparar uma peça de teatro sem ter confirmado os coadjuvantes.
Um backup complicado
Monreal, um operador político com décadas de experiência, pintou um quadro complexo. Ele disse que Sheinbaum, por “consistência”, provavelmente enviará a iniciativa como propôs desde o início. Isto inclui o ponto controverso da redução de deputados multi-membros.
“Conhecendo a Presidente… ela provavelmente apresentará uma iniciativa que considere conveniente”, declarou Monreal. E acrescentou: “para mim será muito difícil conseguir acordos para a maioria qualificada”.
Esse é o cerne da questão. Morena promete apoiá-la “em tudo”, mas esse apoio não é suficiente. Eles precisam adicionar forças externas e hoje essas forças não estão alinhadas.
Sheinbaum desempenha um papel de paciência estratégica. Ele sabe que enviar uma iniciativa sem garantia de votos seria um grande erro político. Seria como subir ao palco sem saber o final da peça.
Na próxima semana veremos se o roteiro será reescrito de última hora ou se a apresentação deverá ser adiada. Por enquanto, a cortina ainda não subiu.




