O roteiro muda: não há ‘via rápida’ para a reforma
A obra foi escrita. O palco, pronto. Mas justamente quando tudo apontava para um rápido progresso, o coordenador do Morena no Senado, Ricardo Monreal, baixou a cortina para a pressa. Dada a possível chegada da iniciativa de reforma eleitoral da presidente Claudia Sheinbaum nesta segunda-feira, sua mensagem foi clara: não haverá disputas aqui.
“Vamos iniciar todo o processo formal, sem ações aceleradas, sem acelerações legislativas, dando tempo para reflexão e discussão racional”, disse Monreal.
É uma peça interessante. Enquanto alguns esperavam uma corrida legislativa, Morena parece optar pela maratona. E têm espaço: segundo Monreal, o prazo para aprovar qualquer mudança que vale para as eleições de 2027 expira até o último dia de maio.
Aliados inquietos e um pedido de calma
O drama não é apenas com a oposição. Dentro do seu próprio elenco existem tensões. O PT e o PVEM demonstraram divergências com partes do projeto. Monreal chama isso de “desentendimento temporário” e dá uma piscadela para o elenco.
“Não vamos ofender uns aos outros, não vamos desqualificar uns aos outros, vamos discutir melhor com os motivos”, pediu o senador.
E lembrou um precedente fundamental: durante a reforma hídrica, modificaram cerca de 70 artigos da iniciativa original. A porta para a mudança, insiste ele, está aberta.
Então prepare-se. Este não será um ato de dois minutos. Será um longa, com muito debate e provavelmente diversas reescritas do roteiro original. Afinal, a política é puro teatro.




