Sheinbaum e Sánchez descongelam a relação México-Espanha

Os líderes concordaram em retomar o diálogo após anos de distanciamento, abordando questões históricas e comerciais.

A cortina sobe novamente

Depois de anos de relacionamento paralisado, quase congelado, os presidentes Claudia Sheinbaum e Pedro Sánchez decidiram que era a hora. Concordaram em restabelecer o diálogo entre o México e a Espanha. Não foi um simples aperto de mão. Foi o primeiro ato do que poderia ser um novo trabalho nas relações bilaterais.

Sobre o que eles conversaram? Do que dói e do que constrói.

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O presidente mexicano foi claro: questões históricas estavam em cima da mesa. A conquista. Reconhecimento dos povos indígenas. E sim, o sempre espinhoso pedido de perdão promovido pelo seu antecessor, Andrés Manuel López Obrador.

“O reconhecimento dos povos nativos é mantido”, afirmou Sheinbaum quando questionado sobre a famosa carta.

Mas houve uma nuance importante, uma piscadela que não passou despercebida a este jornalista. Sheinbaum reconheceu uma “aproximação” entre o presidente Sánchez e o próprio rei Felipe VI.

“O importante é continuar o diálogo”, disse ele. Essa frase é uma declaração de intenções. A página do confronto é virada para entrar em fase de conversa.

Além da história: energia e convites

O roteiro deste encontro não foi apenas sobre o passado. Sheinbaum fez um convite específico: que Pedro Sánchez visite o México no próximo ano, quando o país sediar o encontro “Em Defesa da Democracia”.

Também concordaram em continuar enviando exposições sobre as culturas mexicanas, tanto as anteriores à conquista como as contemporâneas. Uma ponte cultural para curar feridas históricas.

E falaram sobre o futuro: energias renováveis. Uma questão comercial e estratégica onde há muito o que fazer juntos.

A presidente chegou a mencionar a sua controversa proposta de destinar 10% dos gastos em armas para promover a paz. Associou-o à defesa da soberania de Cuba, mostrando que a sua visão geopolítica permanece intacta.

O momento mais revelador ocorreu quando Sheinbaum detalhou a conversa sobre o perdão. Não foi um monólogo. Foi um argumento histórico.

“Contei a ele sobre a carta de Carlos V… que Carlos V reconhece os abusos de Hernán Cortés e que deve continuar trabalhando no perdão.”

Ele usou um documento do século XVI para apoiar uma petição do século XXI. Isso não é improvisação. É pura estratégia.

O que tudo isto significa? Que, após anos de tensão e silêncio diplomático, ambos os países decidiram que o custo do distanciamento é demasiado elevado. Sheinbaum mantém os princípios históricos mas muda o tom: da reclamação ao diálogo. Sánchez, por sua vez, parece disposto a ouvir.

O cenário está montado. Os principais atores deram o primeiro passo. Agora veremos se esta nova obra tem mais atos ou permanece com uma função única.

Sheinbaum: cada arma entregue é uma vida salva

Sheinbaum defende o programa de desarmamento voluntário como ferramenta pacificadora.

Resultados do programa Sim ao Desarmamento

A Presidente Claudia Sheinbaum descreveu como “bem sucedido” o programa “Sim ao Desarmamento, Sim à Paz”, que promove a entrega voluntária de armas de fogo em troca de apoio financeiro. Na sua conferência matinal, garantiu que cada arma retirada de circulação representa uma vida que pode ser salva.

“Tem tido muito sucesso e também tudo o que fazemos para desarmar pacificamente é salvar uma vida. É remover um instrumento que pode causar a morte. É pacificador”, disse ele.

Sheinbaum informou que nesta quinta-feira conduzirá um dia do programa no átrio da Basílica de Guadalupe, onde começou no ano passado. Destacou a colaboração da Igreja Católica, que proporciona espaços de confiança para a população entregar as armas.

Por ocasião do Dia Internacional da Destruição de Armas de Fogo, a Secretaria de Defesa Nacional apresentará um balanço do programa, bem como um relatório sobre as armas apreendidas e sua posterior destruição. O presidente sublinhou que o desarmamento voluntário contribui para a pacificação do país, uma vez que as famílias podem entregar armas anonimamente, sem investigação, e receber em troca apoio financeiro.

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Mais de 12 mil refugiados acessam contas bancárias no México

O Banorte e o ACNUR facilitam a inclusão financeira dos refugiados no México.

Mais de 12 mil refugiados com autorização de residência legal no México conseguiram abrir uma conta bancária, um passo fundamental para a sua integração no emprego formal. A iniciativa, promovida pelo Banorte em aliança com a Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR), teve início em 2022.

Felipe Medina, diretor executivo de Captação do Banorte, destacou que o principal entrave foi a falta de acesso a uma conta para depósito da folha de pagamento. Embora a regulamentação permita a abertura de contas com CURP e documentos de imigração, na prática muitas agências não reconheciam esta documentação.

“Havia pessoas que já queriam trabalhar, ingressar em empregos formais e não encontravam uma conta que lhes permitisse receber seus recursos”, explicou Medina.

O banco desenhou um processo de abertura digital em cerca de cinco minutos, com arquivo simplificado. Os refugiados podem receber depósitos salariais, fazer transferências e usar cartão de débito digital. O cartão físico é então obtido em estabelecimentos comerciais, sem necessidade de deslocamento até uma agência.

O Banorte também colaborou com empresas que contratam refugiados – como FEMSA, Mabe, LEGO e Alpura – para agilizar a abertura de contas durante a incorporação ao emprego. As equipas de recursos humanos receberam formação especializada.

O sector bancário permitiu a plena integração na economia formal. As contas deste segmento registram depósitos mensais entre 2.000 e 14.000 pesos, saldo médio de 1.900 pesos e cerca de seis transações digitais por mês. As empresas reportam uma menor rotatividade de pessoal e uma maior produtividade entre os trabalhadores refugiados, muitos deles com experiência profissional ou estudos especializados.

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Governo de Sheinbaum lança alerta telefônico contra El Niño

Sistema de alerta telefônico contra El Niño estará pronto em dois meses.

Sistema de alerta para fenômenos climáticos

A presidente Claudia Sheinbaum anunciou que o Governo Federal está desenvolvendo um sistema de alerta telefônico para fenômenos meteorológicos. A previsão é que fique pronto em aproximadamente dois meses. A iniciativa é levada a cabo pela Agência de Transformação Digital e Telecomunicações, pela Coordenação Nacional de Proteção Civil e pelo Serviço Meteorológico Nacional (SMN).

O projeto faz parte de ações preventivas contra o fenômeno El Niño, que segundo as autoridades se manifestará com grande intensidade neste ano e no próximo.

Impacto esperado do El Niño

Segundo as previsões oficiais, o El Niño deixará chuvas mais intensas no final do ano, principalmente no norte do país. Uma elevada probabilidade de ciclones maiores e condições de seca também está prevista para o centro do México em 2027.

O coordenador do SMN, Fabián Vázquez Romaña, destacou que há 63% de probabilidade de o evento ser “muito forte”. Ele acrescentou que atingirá seu ponto mais alto em dezembro e alertou para uma recuperação das altas temperaturas durante a primavera de 2027.

Medidas de proteção civil

A coordenadora nacional da Proteção Civil, Laura Velázquez, explicou que é mantida a comunicação com os 32 estados para mobilizar equipas de socorro, supervisionar abrigos e atualizar mapas de risco em colaboração com a Comissão Nacional de Águas.

Como estratégia chave, são instalados Postos de Comando nas 17 entidades costeiras. Onze já estão formalizados; o restante será concluído na semana seguinte. A costa do Pacífico é priorizada antes de expandir a cobertura para o centro do país.

Além disso, estão a ser acelerados trabalhos preventivos de infra-estruturas em todo o território: desobstrução de barragens, limpeza e abertura do diâmetro dos rios e colocação de barreiras de contenção para mitigar possíveis inundações.

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