Impedir juízes fantasmas no Senado
A Comissão de Justiça do Senado pausou esta terça-feira uma das propostas mais controversas: a criação dos chamados ‘juízes sem rosto’. Não é um não definitivo, mas é uma parada no caminho para rever tudo com uma lupa.
A principal razão é clara e contundente. Segundo Javier Corral Jurado, presidente da comissão, o número colide frontalmente com os tratados internacionais assinados pelo México.
“É difícil compatibilizar este número com os padrões internacionais e com o espírito de reforma judicial que promove a eleição popular de juízes,”
Curral explicou. Em Christian: como prometer juízes eleitos pelo povo e ao mesmo tempo criar magistrados anônimos? É como querer ter o seu bolo e comê-lo também.
Um projeto que já nasceu manco
O cerne do problema está na Convenção Americana sobre Direitos Humanos. Este tratado garante a qualquer acusado um juiz imparcial, competente e independente. Como você julga a imparcialidade ou competência de alguém cujo nome e rosto você desconhece?
Corral admitiu que já existem mecanismos legais para proteger procuradores, polícias, testemunhas e até os próprios juízes em casos de alto risco. O problema é que muitas dessas ferramentas existem, mas não funcionam. Dormem o sono dos justos em alguma gaveta.
Agora, a comissão quer dar um passo atrás para ganhar impulso. Seu plano é rever toda a reforma judicial de forma abrangente. Isso inclui adequar o Código Nacional de Processo Penal e até avaliar a criação de um Código Penal Único para todo o país.
Eles também estão considerando a convocação de fóruns extraordinários. A ideia é ouvir especialistas, acadêmicos e todos os atores envolvidos antes de dar qualquer passo errado.
Este freio não é coincidência. Tem prazo: o próximo processo eleitoral. Qualquer mudança deve estar pronta e respeitar os prazos constitucionais antes do início da corrida pelos votos.
A mensagem final é clara: procuram um equilíbrio quase impossível. Por um lado, proteger a vida e a integridade daqueles que administram a justiça em casos delicados. Por outro lado, manter a responsabilização e a transparência mínima que dê legitimidade ao sistema.
Por enquanto, os juízes sem rosto continuarão a ser apenas isso: uma sombra no debate, uma ideia adiada enquanto descobrimos como encaixá-la num puzzle jurídico cada vez mais complexo.




