A comparação inevitável (e desconfortável) que todos fazem
Parece que no mundo do golfe, se você é bom, muito bom, seu destino é ser comparado ao GOAT, Tiger Woods. E Scottie Scheffler, o menino de ouro do PGA Tour, está vivenciando isso em primeira mão. Os números começam a ficar pesados, como aquele amigo que insiste em um meme que não tem mais graça: Scheffler é o número um do mundo há mais tempo que qualquer outro desde o próprio Tigre, é o primeiro desde então a conseguir mais de cinco vitórias em anos consecutivos e chega ao Tour Championship com uma sequência de 13 torneios entre os 10 primeiros. Basicamente, ele está quebrando o algoritmo do golfe.
Mas Scottie, com a calma de um texano que acaba de encontrar o último peito no churrasco, esquiva-se elegantemente. Sua declaração é um monumento ao bom senso: “É muito bobo ser comparado a Tiger Woods. Acho que Tiger é um cara que se destaca apenas no jogo de golfe, e acho que ele sempre o fará.” E acrescenta, explicando por que essas comparações não têm sentido: “Tiger inspirou uma geração inteira de jogadores de golfe. Crescemos vendo aquele cara fazer o que ele fazia semana após semana, foi incrível testemunhar isso.” Em outras palavras, ele se inclui entre aqueles que viram isso. Tigre com baba. É como ser comparado ao seu ídolo de infância. Arrepio máximo.
A lição de uma rodada sem glória (mas com muita atitude)
A única vez que ele compartilhou uma carta com Woods em um torneio não foi em uma batalha épica em um domingo importante. Nada disso. Foi a rodada final do Masters de novembro de 2020. Ambos estavam a 11 chutes da liderança, tão longe da luta que quase precisaram de binóculos para vê-la. O que aconteceu naquele dia, porém, mudou seu chip mental para sempre.
Embora todos nos lembremos do horror de Tiger acertar um 10 no buraco 12 (um momento que vivenciamos com o mesmo drama do final da temporada de sua série favorita), Scheffler ficou impressionado com outra coisa. O primeiro buraco. Lá estava Tiger, sem nada em jogo, lendo sua tacada com a intensidade de quem vai ganhar sua sexta jaqueta verde. Scheffler se lembra dele pensando: “Oh meu Deus, esse cara está nisso agora!” O cara não desligou o modo competitivo, mesmo debaixo d’água.
Essa foi a epifania. O momento “aha” que o fez perceber que às vezes relaxava quando não estava no grupo final. Ele aprendeu que o segredo não era vencer sempre, mas competir sempre. Trazendo aquela intensidade de tigresa a cada arremesso, a cada round, não importa se você foi o primeiro ou o vigésimo. E pronto, começou a era de domínio de Scheffler, que decolou com sua vitória no WM Phoenix Open em 2022 e o levou a se tornar campeão do Masters e número um do mundo em um piscar de olhos.
Sem vantagem e com tudo pela frente
Esta semana, no Tour Championship, as regras do jogo mudaram. Não comece com -10 abaixo do par por ser o líder da temporada. Os 30 melhores começam do zero, como todos os mortais. Para Scheffler, que começou com uma vantagem de duas tacadas nos últimos três anos e só ganhou a FedEx Cup uma vez, pode ser um alívio. Menos pressão de entrada, mais oportunidades de foco desde o primeiro segundo.
Além disso, ele está com seu caddie, Ted Scott, de volta após sua ausência devido a uma emergência familiar. Scheffler não hesita em ressaltar que sua carreira decolou justamente quando Ted chegou com seu preparo e calma. Este ano já é, sem dúvida, o melhor da sua carreira, mesmo começando tarde devido a uma cirurgia na mão. Ele adicionou o PGA Championship e o British Open aos seus dois Masters. Mas a memória de 2022, quando perdeu uma vantagem de seis tacadas na rodada final para Rory McIlroy, serve como um lembrete: no golfe, nada está escrito.
O mais engraçado daquele ano é que, depois de vencer seu primeiro Masters, subir ao primeiro lugar e conquistar quatro vitórias, ele voltou para casa e as pessoas lhe deram condolências por não ter vencido em East Lake. Ele, com razão, estava pensando: “Quer saber, cara? Ganhei o Masters este ano, ganhei alguns outros torneios. Foi um ano muito bom.” Um clima totalmente identificável: quando seus padrões são tão altos que um ano espetacular parece insuficiente para os outros.
O torneio começa na quinta-feira. Já foi um ano incrível para Scottie Scheffler, mas algo nos diz que ele não está disposto a se acomodar. E, acima de tudo, ele continuará recusando, humoristicamente, ser comparado a Tiger. No final das contas, como ele diz, alguns ícones são únicos e irrepetíveis.
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