A chegada da lei ou como provocar uma derrota
Numa reviravolta que ninguém, absolutamente ninguém, poderia ter previsto (piscadela, piscadela), o aparecimento de agentes da Procuradoria de Michoacán no pitoresco município de Ario desencadeou nesta quinta-feira uma cena digna de uma comédia maluca. Pelo menos oito corajosos membros da polícia municipal decidiram que o seu dever era… exercitar as pernas. Sim, fugiram rapidamente, deixando para trás um belo presente para as autoridades estatais: as suas armas e os seus veículos. Porque que melhor maneira de provar inocência do que fugir como se o bicho-papão estivesse te perseguindo? Fontes do Ministério Público, com louvável solenidade, confirmaram a operação, mas recusaram entrar em detalhes chatos, como o motivo da visita ou o motivo da súbita paixão desportiva dos agentes. É de se perguntar se eles perderam sua cota semanal de exercícios e viram isso como a oportunidade perfeita.
Um déjà vu preocupante na região
Parece que essa coisa dos pacos saindo correndo é um novo tipo de treinamento físico na região. Acontece que em outubro foram presos nada menos que 18 policiais do município vizinho de Salvador Escalante. A razão? Eles supostamente tinham relações públicas estreitas com o crime organizado e se dedicavam à nobre arte de impedir o avanço dos militares. Um trabalho mais completo, sem dúvida. Para completar, o assassinato do ex-prefeito de Uruapan, Carlos Manzo, no início de novembro, colocou Michoacán no mapa de uma forma que nenhum escritório de turismo gostaria. Até o momento, a lista de policiais municipais com vínculos criminosos já conta com sete almas. Estaremos enfrentando um concurso para ver qual empresa detém o recorde?
Planos grandiloquentes: o quarto é o charme
Enquanto os homens uniformizados locais praticam corrida, os escalões superiores não ficam sentados de braços cruzados. A presidente Claudia Sheinbaum, num ato de fé que ela admira, apresentou um novo plano de pacificação para o estado. Enquanto isso, o secretário de Segurança, Omar García Harfuch, afirmou com convicção que a redução da insegurança em Michoacán é uma prioridade para o governo federal. O mais curioso deste novo plano é que é o quarto em apenas 19 anos. Você poderia pensar que com tanta prática eles teriam encontrado a fórmula mágica, mas aparentemente a paciência é uma virtude. A última estratégia mobilizou mais de 10.500 militares com o louvável objectivo de acabar com a violência dos cartéis. Desde que começou, em 10 de novembro, e até quarta-feira passada, o saldo é de 134 detidos, 57 armas apreendidas e milhares de precursores químicos para a fabricação de drogas sintéticas. Um número que, sem ser desprezível, nos faz pensar se não será como brincar de acertar uma toupeira com um martelo de borracha.
A situação, vista através das lentes do mais puro sarcasmo, pinta um quadro onde a realidade supera qualquer tentativa de ficção absurda. Da próxima vez que o Ministério Público anunciar uma visita, talvez devessem trazer cronômetros para quebrar recordes de velocidade.
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